Ahmadinejad diz que eleição no Irã foi limpa e ironiza protestos

Por Parisa Hafezi e Dominic Evans TEERÃ (Reuters) - Partidários e opositores do presidente linha-dura do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, tomaram as ruas de Teerã neste domingo, numa demonstração do conflito político exposto pela disputa eleitoral.

Reuters |

A polícia iraniana no domingo entrou em choque com pessoas em Teerã que protestavam contra a reeleição do presidente, que afirmou que a eleição foi limpa.

O fato de que Teerã e várias outras cidades iranianas vêm sendo sacudidas por distúrbios desde que foram anunciados os resultados da eleição, no sábado, representa a expressão mais nítida em anos de insatisfação com a liderança iraniana.

Dezenas de milhares de partidários de Ahmadinejad, agitando bandeiras, convergiram na praça Vali-e Asr, na capital, antes de um discurso de vitória do homem que venceu a eleição da sexta-feira por uma margem surpreendente de votos.

Partidários do candidato moderado derrotado Mirhossein Mousavi, que qualificou a vitória de Ahmadinejad como "farsa perigosa", se reuniram mais cedo no centro de Teerã, gritando o nome do candidato e atirando pedras contra a polícia, disse uma testemunha da Reuters.

Policiais percorreram a multidão em motocicletas para dispersar os manifestantes. Pelo menos uma pessoa, uma mulher, ficou ferida. Os policiais detiveram por pouco tempo jornalistas que filmavam a violência.

Ahmadinejad relegou a disputa nuclear iraniana ao passado, assinalando que a política nuclear não será modificada em seu segundo mandato, e avisou que qualquer país que ataque o Irã se arrependerá.

"Quem se atreve a atacar o Irã? Quem ousa até mesmo cogitar isso?", disse ele em coletiva de imprensa.

A recusa do Irã em suspender os trabalhos nucleares que o Ocidente suspeita que tenham o objetivo de produzir bombas, acusação que Teerã nega, suscitou comentários sobre possíveis ataques dos EUA ou Israel a instalações nucleares do país.

"ISTO NÃO É BOA NOTÍCIA"

A França assinalou sua preocupação com os fatos ocorridos no Irã nas declarações públicas mais contundentes sobre o assunto vindas até agora de uma potência ocidental importante.

"O que está acontecendo no Irã evidentemente não é boa notícia para ninguém, nem para os iranianos nem para a paz e estabilidade no mundo", disse Henri Guaino, um dos assessores mais próximos do presidente francês, Nicolas Sarkozy, à rádio francesa Europe 1.

O chanceler francês Bernard Kouchner disse que a repressão aos opositores está fechando as portas do diálogo. "Brutalidade e desenvolvimento militar interminável não trarão soluções", disse ele.

Ahmadinejad descreveu a eleição como tendo sido "limpa e saudável" e descartou as queixas dos candidatos derrotados, dizendo que eles alegaram fraude nas eleições apenas porque não as venceram.

Analistas disseram que o resultado da eleição vai decepcionar as potências ocidentais que procuram convencer o quinto maior exportador mundial de petróleo a suspender seus trabalhos nucleares delicados. Obama vem exortando a liderança iraniana a "descerrar seu punho" para possibilitar um novo começo nas relações.

"CANSADOS DE DITADURA"

A esposa de Mousavi, Zahra Rahnavard, desmentiu relatos de que seu marido teria sido detido ou colocado em prisão domiciliar.

"O povo iraniano votou para afastar Ahmadinejad, mas esse voto se tornou um voto para consolidar Ahmadinejad. As pessoas estão cansadas de ditadura", disse Rahnavard, que assumiu um papel público de destaque na campanha eleitoral de seu marido, que atraiu dezenas de milhares de partidários às ruas de Teerã.

"As pessoas estão fartas de não ter liberdade de expressão, da inflação alta e do aventureirismo nas relações externas. Foi por isso que quiseram trocar Ahmadinejad", disse ela à Reuters.

Um assessor de Rahnavard afirmou que ela tentou discursar na Universidade de Teerã no domingo, mas foi impedida.

Mousavi rejeitou a vitória de Ahmadinejad, dizendo que foi conseguida por uma fraude eleitoral que vai "comprometer os pilares da República Islâmica e instaurar a tirania".

Autoridades do Ministério do Interior rejeitaram as acusações de fraude, e o Líder Supremo, aiatolá Ali Khamenei, a autoridade máxima no Irã, exortou os iranianos a apoiarem seu presidente.

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