Ahmadinejad diz que eleição foi livre; oposição alega fraude

O presidente iraniano, Mahmud Ahmadinejad, classificou neste sábado a sua reeleição de grande vitória, e acrescentou que as eleições de sexta-feira foram totalmente livres. A vitória foi questionada por seu principal adversário, Hossein Mousavi, que alegou a existência de fraude. A suspeita levou eleitores da oposição a enfrentar a polícia nas ruas de Teerã neste sábado. Apesar de a polícia ter proibido as manifestações, os partidários da oposição tomaram as ruas da capital gritando palavras de ordem como liberdade e acusando o presidente de ladrão.

Redação com agências |

Com essas eleições, "o povo iraniano deu esperança às nações e decepcionou aqueles que desejam o mal", afirmou o presidente reeleito em uma mensagem de TV à nação.

Ahmadinejad foi reeleito com folgada vantagem, segundo os números oficiais divulgados neste sábado. O seu adversário, o moderado Hossein Mousavi, chamou, porém, o resultado de uma "charada perigosa", que pode levar a uma tirania no país.

Reuters
Manifestante encara policial em Teerã

As proporções da vitória de Ahmadinejad, que conseguiu quase o dobro dos votos do ex-primeiro-ministro Mousavi nas eleições de sexta-feira, decepcionou as expectativas de que a disputa iria no mínimo para o segundo turno.

O ministro do Interior, Sadeq Mahsouli, anunciou que Ahmadinejad levou 62,6% dos votos, contra 33,75% de Mousavi. O comparecimento às urnas foi um recorde: 85%.

Fraude

O candidato moderado Hossein Mousavi disse que "se opõe vigorosamente" ao que ele descreveu como muitas violações nas eleições presidenciais do Irã, em uma comunicado disponibilizado à Reuters neste sábado.

"Eu pessoalmente me oponho vigorosamente às muitas violações óbvias, e estou alertando que não vou me entregar a essa charada perigosa. O resultado da ação de algumas autoridades vai colocar sob risco os pilares da República Islâmica e vai estabelecer uma tirania", disse o candidato no comunicado.

Mousavi, que no fim da sexta-feira disse que tinha vencido a eleição, chamou o resultado oficial de "chocante".

A associação do ex-presidente reformista iraniano Mohamed Khatami defendeu a anulação das eleições. A Associação do Clérigo Combatente, que tem Khatami com um dos fundadores, se declarou preocupada com uma "manipulação em massa dos votos" e pediu uma nova eleição.

Esta entidade "conclui que a anulação das eleições e uma repetição da votação, em uma atmosfera mais igualitária, constitui a melhor maneira de se recobrar a confiança pública e reconciliação nacional".

Durante a campanha, Khatami pediu votos para o principal adversário de Ahmadinejad, o conservador moderado Mir Hossein Mussavi.

Felicitações

O movimento xiita libanês Hisbolá parabenizou neste sábado Mahmoud Ahmadinejad, pela vitória nas eleições presidenciais desta sexta-feira.
Em nota, o Hisbolá felicitou o "irmão presidente Mahmoud Ahmadinejad pela renovação de seu mandato, assim como a República Islâmica, à qual deseja que continue seguindo o caminho do progresso e da prosperidade".

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, também parabenizou o iraniano Mahmoud Ahmadinejad por sua reeleição. Uma nota oficial diz que Chávez se referiu à "vitória" do colega como "muito importante para os povos que lutam por um mundo melhor".

Já a secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton manifestou neste sábado sua esperança de que o resultado das eleições presidenciais no Irã sejam o reflexo da verdadeira vontade popular. "Esperamos que os resultados reflitam a vontade genuína e o desejo do povo iraniano", disse Hillary à imprensa.

A Casa Branca ressaltou neste sábado que acompanhava de perto a evolução da situação no Irã, e que examinava em particular as denúncias de irregularidades nas eleições.

Desapontamento

Analistas iranianos e ocidentais receberam o resultado com descrédito. Segundo eles, a reeleição do atual presidente vai desapontar o Ocidente, que busca convencer o Irã a suspender atividades nucleares que, esses países suspeitam, têm como objetivo produzir bombas. A vitória de Ahmadinejad pode complicar ainda mais os esforços do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, de se aproximar de Teerã.

"Não é um bom sinal para as tentativas de um acordo para a disputa nuclear", afirmou Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, em Londres.

Governo

No poder há quatro anos, onde chegou prometendo reviver os valores da Revolução Islâmica de 1979, Ahmadinejad, 52 anos, expandiu o programa nuclear do Irã, que segundo ele é para fins pacíficos, e provocou a reação da comunidade internacional ao negar o Holocausto e pedir o fim de Israel.

A campanha eleitoral dura no Irã gerou grande interesse no mundo e mobilizou os iranianos. Ela revelou divisões profundas entre os líderes que apóiam Ahmadinejad e os que são a favor de mudanças sociais e políticas.

O atual presidente acusou os seus rivais de minar a República Islâmica ao defenderem a aproximação com o Ocidente. Mousavi, por sua vez, declarou que a política externa "extremista" de Ahmadinejad tem levado à humilhação dos iranianos.

Na noite de sexta, antes do anúncio do resultado oficial, Mousavi se declarava o real vencedor. Ele dizia que muitas pessoas não haviam podido votar e que faltavam cédulas.

Trita Parsi, presidente do Conselho Nacional do Irã nos Estados Unidos, colocou em questão a grande diferença em favor de Ahmadinejad. "É difícil conceber que isso ocorreu sem trapaças", disse Parsi.

Ali Ansari, que lidera o Instituto de Estudos Iranianos na Universidade de St. Andrews, na Escócia, disse: "Os iranianos vão acordar hoje em choque, não por causa da vitória do presidente, mas por conta das proporções dessa vitória."

(Com informações da AFP, EFE, BBC Brasil e Reuters)

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