Ahmadinejad diz que agência conhecia segunda usina nuclear

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse que a agência internacional que monitora questões nucleares sabia da construção de uma segunda usina nuclear no Irã, e que, portanto, as alegações de que o país estaria descumprindo regras internacionais são falsas. Em Nova York, onde participou da Assembléia Geral das Nações Unidas, Ahmadinejad afirmou que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) foi informada no dia 21 de setembro sobre os planos iranianos.

BBC Brasil |

Ele acrescentou que a finalidade do projeto - que só entrará em operação dentro de um ano e meio - é unicamente produzir energia, e reiterou que permitirá inspeções da AIEA no local de construção se forem requisitadas.

"Não temos nenhum problema em permitir inspeções às instalações", disse Ahmadinejad. "Estão acusando um governo independente sem antes se informarem."

Ele sustentou que não existem normas internacionais que o obriguem a declarar instalações nucleares antes de 180 dias antes da introdução de material para fissão nuclear.

Entretanto, o analista da BBC Paul Reynolds disse que existe uma polêmica em relação à antecedência com que o Irã deve informar a AIEA sobre seus projetos nucleares.

Segundo Reynolds, em 2003 o país concordou em se submeter a um acordo que requer o repasse de informações à agência com o projeto ainda na planta. Depois rejeitou o acordo.

A AIEA afirma que não pode haver rejeição unilateral neste tipo de entendimento.

Reações
A notícia de uma segunda usina nuclear a cerca de 160 quilômetros ao sudoeste da capital iraniana, Teerã, gerou reações por parte dos Estados Unidos, da França e da Grã-Bretanha, e tornou ainda mais próxima a possibilidade de sanções internacionais contra o país, acusado de tramar a construção de uma bomba nuclear.

Em Pittsburgh, onde encerrou o encontro do grupo das 20 economias mais influentes do planeta, o presidente americano, Barack Obama, disse que não descarta a adoção de "nenhuma opção" - incluindo a militar - para solucionar a crise.

"Sempre dissemos que não descartamos nenhuma opção no que se refere aos interesses de segurança dos Estados Unidos, mas volto a enfatizar que minha opção preferida é resolver isto de forma diplomática", disse Obama.

Sobre este assunto também se manifestou o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marco Aurélio Garcia.

Ele disse que o Brasil não quer "encurralar o Irã" e que medidas que levem ao isolamento do país terão efeito contrário ao esperado no que diz respeito ao uso de energia nuclear pelos iranianos.

O embaixador brasileiro em Washington, Antônio Patriota, disse que Obama "acha bom" que o Brasil mantenha contato com o Irã.

"Em essência, ele (Obama) concordou com a tese do presidente Lula de que não é produtivo isolar o Irã e que (é melhor que) os iranianos falem ao menos com um punhado de países", afirmou o embaixador.

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