Teerã, 13 jul (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje que aceitaria a abertura de um escritório de interesses dos Estados Unidos no Irã, se Washington pedir, enquanto voltou a advertir que seu país cortará a mão aos invasores no caso de um eventual ataque contra Teerã.

Ahmadinejad, citado pela televisão estatal iraniana, afirmou que a República Islâmica "é a favor do estabelecimento de relações com todos os países", e que Teerã dialogará com Washington "quando for necessário, sem intermediários nem condições prévias".

O presidente iraniano ressaltou, no entanto, que os Estados Unidos "não fizeram nenhum pedido" a respeito.

Os EUA romperam suas relações diplomáticas com o Irã após a vitória da Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o Xá Mohamad Reza Pahlevi, e, desde então, a embaixada suíça nesta capital se encarrega dos interesses americanos no Irã.

A tensão foi aumentando entre o Irã e os EUA nas últimas três décadas, devido às acusações de Washington contra Teerã de apoiar o terrorismo, de intervir nos assuntos do Iraque e do Líbano, e de desenvolver um programa atômico para fins militares, o que os iranianos negam.

Alguns meios de comunicação americanos afirmaram há um mês que Washington estudava abrir um escritório de interesses no Irã.

O Governo iraniano qualificou na época essas informações como "manobra política", enquanto vários responsáveis próximos ao regime expressaram seus temores devido à possibilidade de que o objetivo de Washington seja contatar de forma direta grupos opositores ativos em Teerã.

A tensão aumentou ainda mais nas últimas semanas, após as ameaças iranianas de "abrasar" Israel e a Força Naval dos EUA no Golfo Pérsico, em caso de um ataque desses dois países contra as instalações atômicas iranianas.

Hoje mesmo, Ahmadinejad advertiu que "os iranianos cortarão a mão aos invasores", no caso de um ataque contra as instalações nucleares do Irã.

Ahmadinejad elogiou, ao mesmo tempo, as recentes manobras da Guarda Revolucionária iraniana no Golfo Pérsico, onde foram testados "com sucesso" vários mísseis de médio e longo alcance, um dos quais, o Shahab-3, tem um alcance de 2.000 quilômetros, suficiente para chegar até Israel.

Esses exercícios "são só uma pequena mostra do poder defensivo da República Islâmica", disse Ahmadinejad. EFE msh/an

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