Ahmadinejad diz que aceitaria enriquecer urânio fora do país

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que aceitaria enviar urânio para ser enriquecido fora do país em troca de combustível nuclear, em uma referência a uma das propostas apresentadas no ano passado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Nós não temos problemas em enviar nosso urânio enriquecido para fora, disse à TV estatal.

BBC Brasil |

Segundo ele, o Irã enviaria urânio pouco enriquecido a 3,5% e receberia de volta enriquecido a 20% - nível de combustível nuclear - dentro de quatro ou cinco meses.

O presidente deixou claro que, caso o país não receba o urânio mais enriquecido para ser usado no reator do país, o Irã tem capacidade de produzir o combustível internamente.

Reação
O governo dos Estados Unidos reagiu com cautela ao anúncio feito por Ahmadinejad.

Segundo a correspondente da BBC em Washington Kim Ghattas a reação cautelosa ser deve principalmente a falta de detalhes no anúncio do presidente iraniano sobre a possível aceitação ao acordo proposto pela ONU.

Em outubro, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) - o braço da ONU para assuntos nucleares - apresentou uma proposta para enriquecer na Rússia 75% do urânio com baixo grau de enriquecimento do Irã, devolvendo-o a Teerã para uso em um reator na capital iraniana.

Mas o governo iraniano rejeitou a ideia e sugeriu a troca do urânio por combustível nuclear dentro do território iraniano, algo rejeitado por vários países do Ocidente.

Ahmadinejad também havia recusado o prazo de um ano estabelecido pela ONU para que os países devolvessem o urânio já enriquecido ao Irã.

No comentário feito nesta terça-feira, o presidente iraniano parece aceitar a proposta, mas citou que o país teria que receber o combustível nuclear dentro de quatro ou cinco meses - diferentemente do prazo anteriormente proposto pela ONU.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado P.J Crowley, se o Irã pretende aceitar a proposta e enviar o urânio para ser enriquecido no exterior, o governo deve avisar à Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Ainda de acordo com Crowley, caso o Irã esteja realmente disposto a aceitar a proposta que já está na mesa de negociações, a decisão seria bem-vinda pelos EUA.

"Não estamos dispostos a mudar o acordo. Não estamos interessados em renegocia-lo. Se o Irã quer aceitar o acordo, deve informar à AIEA", disse Crowley à agência Reuters.

Segundo Ghattas, Ahmadinejad pode estar tentando ganhar tempo, mas Washington será cuidadosa para não rejeitar uma abertura demonstrada pelo Irã para evitar se considerada culpada por um eventual impasse nas negociações.

Os Estados Unidos e outros países pressionam o governo iraniano a interromper seu programa de enriquecimento de urânio por temer que o Irã esteja secretamente tentando desenvolver armas nucleares.

Teerã, porém, nega as alegações e afirma que seu programa nuclear é pacífico e tem o objetivo de gerar energia.

A recusa do Irã em suspender o enriquecimento de urânio já levou o país a ser submetido a uma série de sanções pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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