Genebra, 20 abr (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, denunciou hoje o racismo de Israel e a cumplicidade dos Estados Unidos e de alguns Governos ocidentais na política israelense contra os palestinos, em discurso na conferência da ONU sobre racismo, no qual foi vaiado por alguns presentes.

Ahmadinejad, que é o único chefe de Estado que assiste a esta conferência marcada desde antes de seu início, devido à polêmica e o boicote dos EUA, Israel e outros sete países, usou grande parte de seu discurso para condenar a "política repressiva" e a "brutalidade" de Israel contra os palestinos.

Pouco após começar suas críticas, os representantes da União Europeia (UE) saíram da sala em protesto contra as palavras de Ahmadinejad, que também denunciou as intervenções militares no Iraque e no Afeganistão, e se perguntou se trouxeram a paz ou a prosperidade a seus povos.

O líder iraniano criticou a ordem política mundial, ao afirmar que o Conselho de Segurança da ONU sempre "recebeu com o silêncio os crimes desse regime (israelense), como os recentes bombardeios contra civis em Gaza".

Também disse que a intervenção internacional no Afeganistão não trouxe a paz nem a prosperidade a esse país, e que a invasão americana do Iraque deixou "1 milhão de mortos e feridos" e perdas milionárias para a economia desse país.

O presidente iraniano continuou as constantes referências ao "sionismo mundial, que personifica o racismo", disse, e chamadas para uma reforma da ordem política internacional.

As vaias de alguns grupos a Ahmadinejad começaram no momento em que ele subiu à tribuna, quando foi interrompido com gritos de "assassino" por dissidentes iranianos que foram a Genebra.

Ahmadinejad continuou dizendo que "perdoava" os que lhe tinham insultado, aos quais qualificou de "ignorantes".

Membros de grupos judeus e ONGs favoráveis a Israel também protestavam na entrada da sala do Palácio das Nações, onde acontece a conferência.

A presença de Ahmadinejad em Genebra causou indignação de Israel, que hoje chamou a consultas seu embaixador em Berna, em protesto contra o encontro que o presidente suíço, Hans-Rudolf Merz, manteve ontem à noite com o presidente iraniano.

Os nove países que boicotam a conferência são Israel, Estados Unidos, Austrália, Canadá, Itália, Holanda, Polônia, Nova Zelândia, e Alemanha. EFE vh/an

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