Ahmadinejad denuncia interferência de Obama e enfrenta novo desafio de Moussavi

O presidente Mahmud Ahmadinejad exigiu nesta quinta-feira que o colega americano Barack Obama pare de interferir nos assuntos do Irã, onde as forças de segurança impedem há três dias os protestos contra sua reeleição.

AFP |

Já o candidato reformista Mir Hossein Moussavi, principal figura do movimento que pede a anulação das eleições de 12 de junho, lançou um novo desafio às autoridades da República Islâmica, ao afirmar que as ameaças não impedirão sua luta pelos direitos dos iranianos.

"Não me privarei de assegurar os direitos do povo iraniano por interesses pessoais ou ameaças", afirma Moussavi no site de seu jornal, Kalemeh.

Mais cedo, Moussavi denunciou pressões para retirar o pedido de anulação da reeleição do presidente Mahmud Ahmadinejad.

"Recentes pressões pretendem que abandone minha demanda de anulação da eleição", afirmou Moussavi em uma mensagem publicada em seu site.

Segundo os resultados oficiais, o presidente Mahmud Ahmadinejad foi reeleito com 63% dos votos, contra 34% para Moussavi.

A campanha de Moussavi denunciou fraudes e irregularidades e pediu a criação de uma comissão independente para investigar o processo eleitoral.

O poder da República Islâmica rejeitou a possibilidade de convocar uma nova votação e informou que o presidente e seus ministros tomarão posse entre 26 de julho e 19 de agosto.

Outro candidato derrotado, o reformista Mehdi Karubi, cancelou uma cerimônia de luto convocada para esta quinta-feira em memória dos manifestantes mortos nos distúrbios posteriores à votação, que deixaram pelo menos 17 mortos e mais de 100 feridos.

Pelo menos 140 políticos, universitários, estudantes e jornalistas iranianos foram presos desde o início das manifestações, segundo a imprensa local.

As autoridades anunciaram ainda a detenção de dois jornalistas estrangeiros, um iraniano-canadense e um grego-britânico, que trabalham para publicações americanas.

O grande aiatolá dissidente Hosein Ali Montazeri advertiu nesta quinta-feira que se a repressão às manifestações pacíficas no Irã prosseguir, a situação pode provocar a queda do governo.

"Se o povo iraniano não puder revindicar seus direitos legítimos em manifestações pacíficas e for reprimido, o aumento da frustração pode eventualmente destruir os cimentos de qualquer governo, por mais forte que seja", afirma o grande aiatolá em um comunicado.

Montazeri, que ocupa a maior hierarquia no clero xiita iraniano, também pediu aos compatriotas que rejeitam a legitimidade da reeleição do presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad a continuidade do movimento de protesto.

Na quarta-feira, a polícia antidistúrbios e a milícia islamita basij impediram pelo segundo dia consecutivo a concentração de centenas de pessoas diante do Parlamento.

Uma testemunha afirmou ter visto a polícia agredir os manifestantes, que se dispersaram nas ruas próximas, e alguns relataram ter ouvido tiros.

As autoridades da República Islâmica acusaram nos últimos dias os países ocidentais pelos distúrbios, em particular os Estados Unidos e a Grã-Bretanha.

Ahmadinejad voltou à carga nesta quinta-feira contra Barack Obama.

"Espero que você (Obama) evite interferir nos assuntos iranianos e expresse arrependimento de tal forma que o povo iraniano seja informado disso", afirmou Ahmadinejad.

O presidente ultraconservador declarou que a linguagem utilizada por Obama recorda a de seu antecessor George W. Bush e que isto coloca em risco a possibilidade de qualquer diálogo entre os países.

"Vai utilizar esta linguagem com o Irã? Se este for o caso, não haverá nada a falar. Pensa que este comportamento resolveria o problema entre nós? O único resultado seria que o povo o consideraria como alguém similar a Bush", completou Ahmadinejad.

Desde que chegou à Casa Branca, Obama manifestou o desejo de dialogar com as autoridades iranianas sem questionar o tipo de regime, apesar dos dois países terem rompido as relações diplomáticas em 1979.

O embaixador do Irã em Bruxelas, Ali Asghar Khaji, também pediu nesta quinta-feira à União Europeia (UE) que não interfira nos assuntos internos do país e alertou contra medidas precipitadas que podem ter consequências inconvenientes.

A crise política iraniana também será um dos temas predominantes da reunião dos ministros das Relações Exteriores do G8, que acontecerá nesta quinta-feira à noite em Trieste, Itália.

Mas Ahmadinejad também recebeu apoio, como da pequena Aliança Bolivariana para as Américas (Alba, formada por Cuba, Venezuela, Equador, Bolívia, Nicaragua e Honduras), que após uma reunião na Venezuela anuciou apoio à revolução do Irã.

Outro país a considerar o eventos no Irã um assunto interno foi o Qatar, para o qual a estabilidade iraniana é importante para o Golfo Árabe-Pérsico.

burs/fp

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