Ahmadinejad defende direitos de jornalista presa por espionagem

Por Parisa Hafezi e Fredrik Dahl TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad pediu ao Judiciário que a jornalista iraniano-americana presa por espionagem tenha garantido o direito legal de se defender, afirmou neste domingo a agência oficial de notícias IRNA.

Reuters |

O advogado de Roxana Saberi elogiou as palavras de Ahmadinejad na carta para o promotor de Teerã. O documento veio a público um dia após a sentença de oito anos de prisão para a jornalista, acusada de espionagem para os Estados Unidos --país em que ela nasceu.

O advogado Abdolsamad Khorramshahi afirmou, no entanto, que vai recorrer da decisão do júri. A sentença foi decidida ao mesmo tempo em que o novo governo dos Estados Unidos, presidido por Barack Obama, tenta se aproximar diplomaticamente do país islâmico após três décadas de desconfiança mútua.

Obama disse que está "profundamente preocupado" com a segurança de Saberi, e pediu a Teerã que a liberte.

"Eu tenho total confiança de que ela não estava envolvida em nenhum tipo de espionagem," disse Obama em entrevista coletiva em Port of Spain, Trinidad e Tobago, onde participava da Quinta Cúpula das Américas.

Segundo ele, Washington tratará do assunto com Teerã por meio de intermediários suíços.

A secretária de Estado norte-americana Hillary Clinton acrescentou que a libertação de Saberi, de 31 anos, serviria como um gesto de boa-vontade.

Segundo a agência IRNA, a carta do chefe de gabinete de Ahmadinejad, Abdolreza Sheikholeslami, para o promotor Saeed Mortazavi tratava do caso de Saberi e do blogueiro iraniano-canadense Hossein Derakhshan, também detido.

"Baseado na insistência do presidente, por favor assegure-se de que todos os estágios legais em relação aos processos das pessoas mencionadas estejam baseados na justiça", diz a carta.

"... E pessoalmente assegure-se de que as pessoas acusadas tenham todas as liberdades e direitos legais para se defender, e que os direitos delas não sejam violados", acrescenta.

Saberi, cidadã dos Estados Unidos e do Irã, foi presa em janeiro por trabalhar no Irã depois da expiração de suas credenciais de imprensa. Ela foi condenada cinco dias após ir a julgamento, em 13 de abril.

Saberi trabalhou para a BBC, para a rede norte-americana National Public Radio, e para outros meios da mídia internacional.

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