Ahmadinejad critica países ocidentais em discurso de posse

O presidente reeleito do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, defendeu os resultados das eleições que desencadearam a onda de protestos no país em junho e criticou países ocidentais em seu discurso de posse para o segundo mandato, nesta quarta-feira em Teerã.

BBC Brasil |

"Alguns governos deveriam se sentir responsáveis por suas palavras e ações. O povo do Irã quer um diálogo construtivo. Vamos resistir às violações da lei e abuso.", afirmou o presidente iraniano.


Ahmadinejad fez seu discurso de posse nesta quarta-feira / Reuters

"(Governos estrageiros) só querem a democracia a serviço de seus próprios interesses - eles não respeitam os direitos de outras nações, eles se veem como os parâmetros da democracia - nosso povo é contra isto, por isso nosso povo está resistindo", disse.

Vários governos criticaram a eleição presidencial iraniana, realizada no último dia 12 de junho. A vitória de Ahmadinejad desencadeou as maiores manifestações públicas no Irã desde a revolução de 1979, que levou ao poder o atual regime islâmico.

Pelo menos 30 pessoas morreram e centenas foram presas. Grupos da oposição seguem falando em fraude na votação e acreditam que o número de mortos e prisioneiros seja maior do que o divulgado.

Muitos países se recusaram a enviar a tradicional carta dando os parabéns a Ahmadinejad pela reeleição, incluindo Estados Unidos, Alemanha, França e Grã-Bretanha.

"Ninguém no Irã está esperando pelos cumprimentos de ninguém", afirmou Ahmadinejad no discurso realizado no Parlamento em Teerã.

Do lado de fora do Parlamento, partidários da oposição protestavam. Eles teriam entrado em confronto com a tropa de choque da polícia e pelo menos uma pessoa foi presa.

Cadeiras vazias

O discurso de posse de Ahmadinejad foi transmitido ao vivo pela televisão estatal iraniana. Em seu discurso, o presidente iraniano prometeu "proteger a fé oficial, o sistema da revolução islâmica e a Constituição.

Ahmadinejad pediu por uma "vontade nacional, uma determinação nacional" e disse que o país precisa "unir forças".

"Não tenho nenhum outro incentivo além de servir ao povo e ao país e não penso em nada além do progresso e desenvolvimento da nação", disse.

Além de criticar os países ocidentais, Ahmadinejad também defendeu o resultado oficial das eleições, que determinou sua vitória esmagadora. O Parlamento iraniano apresentavam algumas cadeiras vazias durante a cerimônia de quarta-feira.


Cadeiras ficaram vazias no Parlamento / AP

Os presidentes que ocuparam o cargo antes de Ahmadinejad, como Mohammad Khatami e Akbar Hashemi Rafsanjani, não compareceram e também faltaram a uma outra cerimônia na segunda-feira, na qual a Presidência de Ahmadinejad foi endossada.

Os dois candidatos de oposição derrotados na eleição, Mir Hossein Mousavi e Mehdi Karroubi, que continuam questionando os resultados da eleição, também não compareceram à cerimônia de posse.

Ahmadinejad recebeu o apoio do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, que também o apoiou durante os protestos.

Governo

Depois da posse, Ahmadinejad terá duas semanas para formar um governo, que deverá ser aprovado pelo Parlamento.

Segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne, o presidente encontrará dificuldades em formar um governo com credibilidade, já que recentemente ele se envolveu em disputas com políticos conservadores que costumavam ser seus aliados.

Mais de cem oposicionistas, entre eles figuras importantes de antigos governos reformistas, foram julgados no sábado por acusações como vandalismo, tumulto e conspiração nos protestos que seguiram a reeleição de Ahmadinejad.

A imprensa estrangeira, incluindo a BBC, tem acesso restrito à cobertura dos acontecimentos no Irã.

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