Teerã - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta quinta-feira que a relação com o Ocidente mudou após sua polêmica reeleição e recomendou ao governante americano, Barack Obama, a não escolher uma política que interfira nos assuntos internos do Irã.

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    Reuters
    Ahmadinejad critica presidente dos EUA, Obama

    Ahmadinejad critica presidente dos EUA, Obama

    Em declarações divulgadas pela agência de notícias local "Fars", o líder iraniano assegurou que a linguagem empregada pelo presidente americano lembra a de seu antecessor, George W. Bush, e que se esse for o caminho escolhido, enterrará as opções de diálogo.

    "Os ocidentais pensavam que podiam destruir a autoridade do povo iraniano com propaganda falsa. Mas devem saber que, a partir de agora, o Irã falará de outra posição, tratará os inimigos de uma nova perspectiva", ameaçou.

    "Acabaram os tempos em que os países arrogantes submetiam outros países do mundo. O Ocidente deve abrir os olhos, já que o Irã se preparou para qualquer eventualidade", acrescentou Ahmadinejad, durante a inauguração, nesta quinta-feira, de um projeto petroquímico.

    Critica a Obama

    O presidente, cuja polêmica reeleição gerou uma onda de protestos e distúrbios no país, violentamente reprimidas pelas forças de segurança, criticou Obama, a quem acusou de interferir nos assuntos do Irã.

    Na terça-feira, o presidente dos Estados Unidos disse estar "assustado e indignado" pela repressão aos protestos. "Obama cometeu um erro dizendo essas coisas. Nossa pergunta agora é por que decidiu seguir o caminho de Bush", afirmou Ahmadinejad. "Se esse é o tom que se pretende empregar, então não há nada a falar. Espero que deixe de interferir e que se desculpe de uma maneira clara que o povo iraniano entenda", disse.

    Mousavi denuncia pressão

    O candidato derrotado Mir Hosseim Mousavi denunciou pressões para retirar o pedido de anulação da reeleição de Ahmadinejad.

    Ele afirmou que as ameaças não impedirão sua luta pelos direitos dos compatriotas. "Não me privarei de assegurar os direitos do povo iraniano (...) por interesses pessoais ou ameaças", afirma Moussavi no site de seu jornal, Kalemeh.

    Entenda os protestos

    O Irã é palco há quase duas semanas de mobilizações e enfrentamentos nos quais morreram pelo menos 20 pessoas, segundo fontes oficiais.

    As manifestações foram organizadas pelos três candidatos perdedores das eleições, que denunciaram uma grande fraude em favor do atual presidente, o ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad, que obteve uma inesperada vitória no primeiro turno.

    O regime iraniano, no entanto, acusou países ocidentais, especialmente Estados Unidos e Reino Unido, de conspirar com o objetivo de forçar o que Teerã chama de "uma revolução de veludo".

    (*com informações das agências Reuters, AFP e Efe)

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