Istambul, 15 ago (EFE).- O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, atacou hoje os Estados Unidos e Israel, qualificando o primeiro de agressor e o segundo de Estado construído com base em mentiras.

No segundo dia de sua visita à Turquia e durante a entrevista coletiva em Istambul, depois de se reunir com empresários turcos, Ahmadinejad acusou também as grandes potências ocidentais de impedir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), com sede em Viena, cumpra seus objetivos reais.

Ahmadinejad lembrou que a AIEA foi fundada com dois propósitos: prevenir a proliferação de bombas atômicas e contribuir para que todas as nações possam se beneficiar de um uso pacífico da energia nuclear.

No entanto, "os grandes países não permitem isso. Enquanto eles desenvolvem todo tipo de armas nucleares, não deixam outros países usar a energia nuclear", disse o presidente iraniano, em indireta alusão às tensões com as potências ocidentais, devido ao polêmico programa nuclear de Teerã.

Estados Unidos, Israel e União Européia (UE) são contra que o Irã enriqueça urânio, porque temem que seja usado para fabricar uma bomba atômica, enquanto Teerã defende que tem direito de usar essa tecnologia com fins pacíficos.

O líder iraniano disse que seu país estava "muito feliz" com o embargo comercial imposto a Teerã por Washington há 15 anos, e negou que o mesmo tenha causado prejuízos a sua economia.

"Agora somos um país nuclear. Estamos entre as primeiras cinco nações em matéria de biotecnologia e entre as dez primeiras quanto à nanotecnologia. Dentro de pouco, enviaremos ao espaço um satélite 100% iraniano. Tudo isso foi conseguido sob o embargo americano", disse.

Em sua longa entrevista coletiva, Ahmadinejad criticou os Estados Unidos, ao qual definiu como um Estado "agressor" que deve sair do Iraque, e previu que as tropas enviadas por Washington serão obrigadas a partir, por ter se "erosionado" o poder da principal potência mundial no Oriente Médio.

"Após a retirada dos EUA, haverá um vazio de segurança no Iraque.

Nós propomos que os países da região preencham esse vazio e ofereçam segurança. Não há necessidade de uma intervenção externa. Nós, como países da região, temos que proteger a segurança, estabilidade e integridade territorial do Iraque", disse.

Sobre Israel, o líder iraniano definiu como um "Estado de guerra, terror e agressão", "construído com base em mentiras" há 60 anos, para defender os interesses dos grandes poderes na região, e disse que os problemas do Oriente Médio seriam resolvidos sem a solução do "problema do regime sionista".

Após afirmar que o "regime sionista" se voltou demais para "os grandes poderes" e prever que o final de Israel está se aproximando, o líder iraniano considerou que o problema dos palestinos poderia ser resolvido com um plebiscito livre, mas esta "proposta muito democrática do Irã" não é aceita pelos "chamados Estados democráticos do mundo".

Afirmou também que as conversas de paz entre Síria e Israel não chegarão a nenhuma solução, porque, disse, o "problema real é o próprio regime sionista".

Além disso, expressou seu apoio à pretensão da Turquia de entrar na União Européia (UE) como membro de pleno direito, mas advertiu que, nessa comunidade, "os grandes países que não querem o desenvolvimento da Turquia estão colocando muitas condições para sua entrada".

"A Turquia é um ponte segura para a região. Através da pertinência da Turquia, podem construir relações com os países desta região. A entrada da Turquia é de interesse para a UE", disse o presidente do Irã. EFE dt/an

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