Ahmadinejad: condenada à morte não será enviada ao Brasil

Em entrevista exibida pela TV estatal, presidente iraniano diz que "não há necessidade de criar problemas" para Lula

iG São Paulo |

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que Sakineh Mohammadi-Ashtiani, condenada à morte pelo crime de adultério, não será enviada ao Brasil. O presidente Lula ofereceu asilo à iraniana , mas Ahmadinejad disse que "não há necessidade de criar problemas" para o líder brasileiro.

"Há um juiz e, no fim das contas, os juízes são independentes. Mas conversei com o chefe do Judiciário e ele também não concorda (com a proposta brasileira de asilo)", afirmou Ahmadinejad em entrevista exibida pela rede estatal Press TV. "Acho que não há necessidade de criar problemas ao presidente Lula e levá-la ao Brasil", acrescentou.

Depois das declarações de Ahmadinejad, a embaixada do Irã no Brasil divulgou uma declaração em que afirma que o governo do país considerou a oferta de Lula "um pedido de um país amigo, baseado nos sentimentos puramente humanitários", mas questiona as "consequências" e pergunta se o "Brasil precisará ter um local para criminosos de outros países".

Ashtiani, de 43 anos, está presa no Irã desde maio de 2006, quando um tribunal na Província do Azerbaijão Ocidental a considerou culpada por manter “relações ilícitas” com dois homens após a morte de seu marido. No sábado, a Justiça iraniana adiou a decisão sobre a execução de Sakineh e marcou uma nova reunião para o dia 21 de agosto.

Antes de Ahmadinejad, outras autoridades iranianas já haviam indicado que o país não aceitaria a proposta do Brasil. Há mais de uma semana, o porta-voz do Ministério do Exterior iraniano afirmou que o presidente Lula tem "personalidade emotiva" e fez a oferta sem "informação suficiente" sobre o caso.

Na semana passada, o embaicador do Irã no Brasil, Mohsen Shaterzadeh, descartou o envio de Sakineh ao Brasil. Em entrevista à Agência Brasil, ele disse que a mulher condenada é iraniana, o que, segundo ele, "elimina a possibilidade de outro país ser incluído no processo".

'Confissão'

Na noite da última quarta-feira, a TV estatal iraniana levou ao ar uma suposta entrevista com Sakineh, em que a iraniana admite ter conspirado para matar o marido. A "confissão" foi condenada pela Anistia International, organização de defesa dos direitos humanos.

De acordo com a ONG, "confissões desse tipo (transmitidas pele televisão) têm sido repetidamente usada pelas autoridades iranianas para incrimar pessoas que estão sob custódia". Ainda segundo a Anistia, muitos desses indivíduos acabam "retirando" a confissão tempos depois, com o argumento de que foram "coagidos, às vezes sob tortura".

Com AP e BBC Brasil

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