O Irã escolhe na sexta-feira quem, entre o ultraconservador Mahmud Ahmadinejad ou de seus rivais, entre eles Mir Hossein Mussavi, presidirá o país pelos quatro próximos anos.

Com o Irã totalmente isolado no cenário internacional e a economia em queda livre, os adversários do atual presidente tinham tudo para disparar nesta campanha eleitoral, iniciada em 22 de maio.

Mussavi conta com o apoio de grande parte da juventude nas cidades, onde a reivindicação por mais liberdades individuais é mais forte.

No entanto, Ahmadinejad conseguiu manter durante o mandato o apoio do eleitorado popular que o levou ao poder em 2005.

Mussavi, ex-primeiro-ministro de volta ao cenário político após 20 anos de ausência, acusou o presidente de prejudicar a imagem do Irã no exterior.

Ahmadinejad, que gosta de aparecer como o líder de um movimento "anti-imperialista", costuma rebater as críticas com provocações, do tipo: "o Holocausto é uma grande enganação", "as resoluções da ONU contra o Irã são pedaços de papel", ou "a República Islâmica é a maior potência do mundo".

Em um debate contra o candidato reformista Mehdi Karubi, ele afirmou que a diplomacia significa "o controle da opinião pública mundial".

No âmbito interno, a inflação passou de 10% a mais de 25% durante seu mandato. O desemprego é superior a 12% e o fantasma de um gigantesco déficit orçamentário só será afastado se os preços do petróleo voltarem a subir.

Ahmadinejad contestou os dados oficiais com números e gráficos qualificados de "mentirosos" pelos demais candidatos.

Para ser reeleito, o presidente aposta no apoio das pessoas que se beneficiam de suas medidas populares, como empréstimos sem juros, doações em dinheiro e subsídios para os produtos de primeira necessidade.

Ao contrário de seus antecessores, que sempre governaram o país a partir da capital, ele percorreu incansavelmente todo o Irã durante quatro anos.

Em 2005, ele se apresentava como o "servidor do povo". Desta vez, ele é o homem que luta contra o "círculo fechado dos que monopolizaram a economia".

Nos debates televisivos, ele qualificou os adversários de "aproveitadores" do regime. No ano passado, chamara eles de "máfia econômica".

"De onde vem o dinheiro de sua campanha?", perguntou a Mussavi, antes de acusá-lo de ter o apoio do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsandjani (1989-1997).

Considerado dono de uma imensa fortuna, Rafsandjani foi derrotado por Ahmadinejad no segundo turno da eleição presidencial de 2005.

O presidente utilizou a mesma tática com Karubi.

"Como comprou sua casa?", perguntou, antes de acusá-lo de ter recebido dinheiro de um empresário quando era presidente do Parlamento.

Nos dois casos, Ahmadinejad atacaou personalidades emblemáticas do regime: religiosos com passado revolucionário imaculado, mas cuja fortuna pessoal era até então um assunto tabu.

Seu terceiro adversário, o ex-líder dos Guardiões da Revolução Mohsen Rezai, o atacou mais duramente, questionando seu exercício solitário do poder.

"Mahmud Ahmadinejad criou um vácuo em torno dele, e ninguém se sente seguro por perto", declarou Rezai, insistindo também na "péssima situação econômica" do país.

O presidente iraniano se limitou a mencionar o "desconhecimento" de seu adversário.

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