Ahmadinejad alerta rivais sobre fracasso de seus planos

Por Parisa Hafezi TEERÃ (Reuters) - O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, alertou na sexta-feira seus rivais políticos de que seus esforços para promover divergências entre ele e o líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei, não darão em nada.

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A reeleição de Ahmadinejad, em 12 de junho, mergulhou o país na sua pior crise interna desde a Revolução Islâmica de 1979, expondo profundas divisões dentro do regime.

Além do descontentamento popular e da fúria dos reformistas contra supostas fraudes eleitorais, Ahmadinejad enfrenta também críticas de aliados, e perdeu dois ministros radicais por ter tentado desafiar o veto de Khamenei ao vice-presidente escolhido pelo presidente.

Mas Ahmadinejad negou quaisquer divergências entre os líderes. "Não se trata de uma relação política ... Nossa relação se baseia na delicadeza. É como uma relação de pai e filho", disse o presidente em discurso na cidade sagrada xiita de Mashhad.

"Seus esforços não frutificarão. Esta estrada está fechada para esses demônios que sonham em ferir nossa relação. Seu sonho será sepultado junto com eles", afirmou o presidente.

Khamenei ratificou o resultado da eleição presidencial, mas reagiu firmemente quando Ahmadinejad nomeou Esfandiar Rahim-Mashaie como seu vice. Mashaie havia provocado polêmica ao declarar que o Irã não era inimigo do povo israelense, e sim do seu governo.

Pelo sistema clerical do Irã, a palavra de Khamenei tem valor absoluto, mas durante uma semana Ahmadinejad ignorou a ordem para demitir seu vice. A relutância gerou críticas da imprensa conservadora e do presidente do principal órgão legislativo iraniano, o clérigo Ahmad Jannati.

"Tais nomeações (como a de Mashaie) ferem seus apoiadores ... Uma posição-chave não deve ser confiada a uma pessoa que não é respeitada", disse Jannati a fiéis na Universidade de Teerã, num sermão transmitido pela rádio pública.

Mas Jannati disse que o Parlamento tem obrigação de ajudar Ahmadinejad a formar seu gabinete, depois da eleição "mais saudável" desde a revolução. O clérigo sugeriu também que o candidato derrotado Mirhossein Mousavi, da ala moderada, deveria ser processado por fomentar a instabilidade.

"Você está por trás desses distúrbios. Você é o responsável pelo derramamento de sangue. Cedo ou tarde, será punido por seus atos ilegais e antiislâmicos", afirmou.

A imprensa iraniana diz que 20 manifestantes morreram desde a eleição. Mousavi acusa as autoridades de matarem seus seguidores, e diz que não permitirá que "o sangue deles seja pisoteado".

Grupos de direitos humanos dizem que centenas de ativistas, inclusive políticos, jornalistas e advogados, foram detidos desde junho. Os reformistas exigem sua libertação imediata.

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