Ahmadinejad acusa EUA, Reino Unido e Israel de planejar guerra no Iêmen

Teerã, 13 jan (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, acusou hoje Estados Unidos, Reino Unido e Israel de planejar a guerra no Iêmen como parte de um suposto plano para controlar o Oriente Médio.

EFE |

Em discurso na cidade iraniana de Ahvaz, de maioria árabe, o líder ultraconservador também fez duras críticas à Arábia Saudita, país que acusou de "atacar" seus irmãos muçulmanos.

"Acreditamos que a devastadora guerra no Iêmen foi planejada pelos Estados Unidos, o Reino Unido e o Estado sionista (em referência a Israel) para acender as chamas da guerra em todo o Oriente Médio e dominá-lo", concluiu Ahmadinejad, citado pela agência de notícias estatal "Irna".

Considerado um dos países mais pobres do mundo, o Iêmen é palco há meses de sangrentos confrontos entre o Exército (sunita) e rebeldes xiitas em armas no norte do país.

A situação interna se agravou com o fortalecimento do braço da rede terrorista internacional "Al Qaeda" no país, que fica no sul da Península Arábica e que assumiu a autoria da tentativa fracassada de atentado cometida em um avião que ia de Amsterdã a Detroit em 25 de dezembro.

Este último incidente fez com que o estado árabe tenha se tornado nos últimos dias um dos principais palcos da chamada "luta de Washington contra o terrorismo internacional".

Teerã acusa os Estados Unidos e a Arábia Saudita (principal nação sunita) de utilizar o conflito como represália às minorias xiitas. O Governo iemenita, por sua vez, acusa o Irã, único país do mundo com um regime xiita, de apoiar os rebeldes.

"Esperávamos que as autoridades sauditas atuassem como mediadores e defensores da paz entre irmãos, em vez de se envolver na guerra e apontar suas armas contra os muçulmanos", comentou o presidente iraniano.

"Se a Arábia Saudita utilizasse apenas uma pequena parte de seu armamento para ajudar Gaza e fazer frente ao regime sionista, hoje não teríamos traços do Estado sionista na região", disse Ahmadinejad no discurso.

Horas antes, os ministros das Relações Exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, e de Omã, Youssef bin Allawi, concordaram em iniciar um diálogo para solucionar o conflito no Iêmen, já que, na sua opinião, a situação poderia desestabilizar toda a área.

Omã, vizinho do Iêmen e com boas relações tanto com o Irã como com a Arábia Saudita e os demais países governados por sunitas na Península Arábica, já se ofereceu algumas vezes para ser mediador no conflito.

"Estamos preparados para apoiar o Governo iemenita de qualquer forma possível e ajudá-lo a encontrar uma solução que resolva os problemas de segurança", reiterou hoje Bin Allawi, citado pela televisão estatal iraniana. EFE.

jm/dp

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