Ahmadinejad abre espaço para mulheres em seu novo gabinete

Teerã, 16 ago (EFE).- O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, antecipou hoje a composição de seu futuro Governo, no qual pela primeira vez na história da República Islâmica haverá pelo menos duas mulheres.

EFE |

Em entrevista à televisão pública, o líder explicou que trabalha "duro" há um mês em seu gabinete e que prevê apresentar a composição definitiva na quarta-feira ao Parlamento para que seja aprovada.

Ahmadinejad revelou que a parlamentar Fatemeh Ajorlou, de 43 anos, é sua opção para dirigir o Ministério de Bem-estar e Seguridade Social, e a ex-deputada Marzieh Vahid-Dastjerdi, ginecologista de 50 anos, é sua aposta para o Ministério da Saúde.

Ele também deixou em aberto a possibilidade de que uma terceira mulher possa fazer parte do novo Executivo, que provavelmente será formado por 21 ministros e 12 vice-presidentes.

Caso consiga o necessário voto de confiança do Parlamento, as duas se transformariam nas primeiras mulheres a alcançar o grau de ministro desde que, em 1979, triunfou a Revolução Islâmica que pôs fim à monarquia pró-ocidental do último Xá da Pérsia, Mohammad Reza Pahlevi.

A última mulher a ocupar o cargo de ministra no Irã foi Farrokhroo Parsa, que ficou à frente do Ministério de Educação entre 1968 e 1977 e foi executada, acusada de corrupção, após o triunfo da revolta.

Desde então, o ex-presidente reformista Mohamad Khatami foi o primeiro a dar um passo em defesa das mulheres ao escolher como vice-presidente Masoumeh Ebtekar.

Em seu primeiro mandato, Ahmadinejad também designou uma mulher para assumir uma das Vice-Presidências do país, Fatemeh Javadi, responsável por questões relacionadas ao meio ambiente.

O presidente também adiantou hoje que proporá o clérigo Heidar Moslehi como novo ministro de Inteligência, enquanto Ali Akbar Mehrabian e Mohamad Abbasi permanecerão nos ministérios de Indústria e Minas e de Cooperação, respectivamente.

Shamseddin Hosseini será proposto para o Ministério da Economia e Fazenda, acrescentou.

Pela Constituição iraniana, a composição do gabinete deve ser aprovada pelo Parlamento, que pediu ao presidente que escolha pessoas com experiência para o próximo Governo.

A questão não parece um mero trâmite, já que Ahmadinejad enfrenta a hesitação inclusive do campo conservador, maioria na Assembleia.

Há alguns dias a agência de notícias "Isna" informou que 202 dos 290 deputados que formam a Câmara assinaram uma carta na qual pedem a Ahmadinejad um Gabinete qualificado.

O próprio presidente do Parlamento, Ali Larijani, se uniu ao pedido.

"O ministério não é um lugar para aprender. Os ministros devem ter passado por certas fases", disse Larijani, citando pela televisão estatal "PressTv".

Dias antes o presidente tinha antecipado a intenção de renovar o Executivo, com rostos novos e jovens.

Um membro do tradicionalista Partido para a Coalizão Islâmica, Habibullah Asgaroladi, lembrou há uma semana ao presidente seu dever de pactuar a formação do Governo com o líder supremo da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.

No cenário, a polêmica que o líder gerou semanas atrás ao propor como primeiro vice-presidente Esfandiar Rahim Mashaie, a cuja nomeação o próprio Khamenei se opôs.

Hoje, Ahmadineaj insistiu em que formar um gabinete está entre as tarefas mais difíceis de um presidente e que as novas condições no país, tanto nacionais como internacionais, exigem uma equipe que se adapte às mesmas.

"Entramos em uma nova etapa após as eleições com novas condições que requerem uma nova forma de gabinete que se adapte a estas condições", afirmou.

"Agora é necessário um gabinete mais hábil que siga os interesses do povo e do Governo", acrescentou.

Ahmadinejad foi reeleito para um segundo mandato nas polêmicas eleições de 12 de junho, cujos resultados foram rejeitados pela oposição.

Nos protestos e distúrbios que começaram após a divulgação dos resultados eleitorais morreram cerca de 30 pessoas -segundo números oficiais- e cerca de quatro mil foram detidas. EFE msh/db

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