Agricultores decidem encerrar a greve na Argentina

Chega ao fim, à meia-noite desta sexta-feira, a greve de oito dias de organizações patronais agrárias argentinas, em mais um capítulo do duro embate com o governo da presidente Cristina Kirchner em torno da cobrança de impostos sobre as exportações de soja.

AFP |

Os dirigentes das quatro principais entidades agrárias do país, potência produtora mundial de alimentos, realizaram a paralisação em repúdio a um veto de Cristina Kirchner à lei que suspendia os impostos sobre a exportação de grãos nas áreas afetadas pela seca na província de Buenos Aires (centro-leste), coração da produção de grãos.

No entanto, o estoque existente de grãos evitou que o 'lock out' pusesse em risco as vendas externas de soja, o primeiro produto de exportação, segundo a câmara de exportadores.

Nesta sexta-feira, vários atos e manifestações se sucedem em diferentes cidades e aldeias do rico Pampa Úmido para marcar o final da greve.

Apesar disto, os preços do trigo já sofreram um aumento no mercado de futuros de Chicago devido à greve na Argentina e à seca na Austrália.

A direção do movimento também descartou que a paralisação tenha impacto sobre o mercado interno de grãos e carnes e a indústria do óleo.

Nas primeiras horas de quinta-feira passada, dezenas de agricultores da província de Buenos Aires e do Chaco (nordeste), entre outros distritos, pararam com veículos e tratores à beira das estradas para esperar pelo início da greve.

Os produtores rurais querem uma redução do imposto sobre a exportação de soja dos atuais 35% para pelo menos 20 ou 15%, além de exigirem o fim das alíquotas sobre o trigo, o milho e o girassol (em média 23%).

A partir da próxima semana serão realizadas novas mobilizações mas, desta vez, sem bloqueios a estradas, e passeatas em todo o país para dar continuidade aos protestos.

ls/dm/sd

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