ASSUNÇÃO (Reuters) - Associações agropecuárias do Paraguai convocaram nesta sexta-feira uma manifestação para meados de dezembro, com o objetivo de exigir maior segurança e expressar o desprezo às ameaças de invasões a fazendas por parte de grupos camponeses que reivindicam terras. Trata-se do primeiro protesto do setor -- que gera aproximadamente 25 por cento do Produto Interno Bruto do país -- desde que o presidente Fernando Lugo, um ex-bispo católico de uma coalizão de centro-esquerda, assumiu o cargo no dia 15 de agosto.

A medida, que será promovida nos dias 15 e 16 de dezembro, foi convocada pela União de Grêmios de Produção (UGP), que reúne agricultores, pecuaristas, cooperativas e câmaras de exportadores.

"Estamos cansados de viver com medo e queremos fazer com que o governo, a classe política e os poderes do Estado entendam que é necessário colocar um fim na violência", disse Claudia Russer, da Associação de Produtores de Soja, em uma coletiva de imprensa.

A tensão rural cresceu nos últimos meses devido às constantes ameaças de lavradores de invadir fazendas, queimar máquinas e destruir plantações, como parte das ações para exigir que o governo seja rápido no cumprimento de sua promessa de realizar uma reforma agrária.

A UGP afirma que a insegurança dificulta os trabalhos agropecuários em centenas de propriedades em diversos pontos do país, cuja economia se sustenta principalmente da exportação de carne e de soja.

"Nos mobilizamos para mostrar que a maioria dos paraguaios quer viver em paz e ter tranquilidade para trabalhar, todos sob a mesma lei", disse Héctor Cristaldo, presidente da UGP.

O governo criou nas últimas semanas a Coordenadoria Executiva para a Reforma Agrária, com o objetivo de atender as reivindicações dos camponeses e reafirmou que garantirá o respeito à propriedade privada. No entanto, os produtores consideram que a medida não conseguiu diminuir as tensões no campo.

(Reportagem de Mariel Cristaldo)

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