A investida contra o Papa Bento XVI na noite de quinta-feira faz parte de uma série de incidentes dos quais o mais dramático continua sendo o atentado frustrado contra seu predecessor, João Paulo II, em 1981.

No dia 13 de maio de 1981, dias antes de completar 61 anos, João Paulo II atravessava a Praça de São Pedro, num veículo descoberto abençoando 20.000 fiéis que se aglomeravam para a audiência geral de quarta-feira, quando foi atingido por três tiros - um deles atravessou o abdômen.

O papa polonês, imediatamente trasladado à policlínica Gemelli de Roma, foi submetido a uma cirurgia que pôde superar graças à sua constituição robusta.

O autor do atentado era um turco muçulmano de 23 anos, Mehmet Ali Agca, ex-militante de extrema direita, fugitivo de seu país, onde já havia sido condenado pela morte de um jornalista e por outros dois crimes.

Detido e condenado à prisão perpétua na Itália, recebeu indulto em 2000 tendo sido expulso para a Turquia, onde voltou a ser preso para pagar pelas ações anteriores. Será libertado no dia 18 de janeiro de 2010.

A identidade dos possíveis autores intelectuais, a presença de eventuais cúmplices na Praça de São Pedro, alimentaram as hipóteses mais diversas. Falou-se muito da "pista búlgara", que jamais foi comprovada.

João Paulo II nunca disse se Ali Agca, a quem visitou na prisão em 1983, havia feito revelações. No entanto, o pontífice disse, em seu último livro "Memoria e Identidade" publicado em 2005, que esse atentado "foi um dos últimos estertores das ideologias de supremacia que apareceram no século XX".

Depois do acontecido na Praça de São Pedro, foram abortados dois projetos de atentado contra o papa polonês durante suas visitas a seu país natal, em 1983 e em 1987, segundo o padre Zdzislaw Krol, ex-chanceler do Arcebispado de Varsóvia e que, naquela época, era um dos principais organizadores das visitas papais.

Em novembro de 2002, o jornal britânico The Times afirmou que a Al-Qaeda havia planejado assassinar o papa nas Filipinas, em 1999, durante uma visita que acabou sendo anulada no último minuto por motivos de saúde.

Além disso, no dia 25 de janeiro de 1989, um jovem inglês de 23 anos, Josep McGovern, tentou aproximar-se de João Paulo II gritando que era "o filho de Deus".

A agressão a Bento XVI na noite de quinta-feira não é o primeiro incidente deste tipo desde o início de seu pontificado em abril de 2005. Segundo o Vaticano, a mulher "aparentemente com desequilíbrio mental" que se atirou sobre o papa já havia tentado o mesmo no Natal de 2008.

No dia 6 de junho de 2007, um jovem alemão de 27 anos, também descrito como "possuidor de problemas mentais", tentou pular no veículo em que estava Bento XVI, na Praça de São Pedro, mas foi dominado rapidamente pelas forças de segurança e, mais tarde, internado em hospital psiquiátrico.

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