Agravamento do Mal de Parkinson é retardado por tratamento precoce

Um medicamento normalmente prescrito para atenuar os sintomas do Mal de Parkinson retarda também a progressão da deficiência ligada a esta doença neurológica, desde que seja administrado mais cedo, segundo um estudo internacional feito com mais de mil pacientes.

AFP |

Os trabalhos, coordenados em nível europeu pela equipe de Olivier Rascol, do Instituto Nacional de Saúde e de Pesquisa Médica (Inserm), sobre este medicamento contra o Parkinson, a rasagilina, são divulgados no The New England Journal of Medicine.

A pesquisa batizada "Adagio" durou 18 meses e envolveu 1.200 pacientes da Europa, do Canadá e dos Estados Unidos - alguns tratados desde o início, e outros, apenas nos últimos 9 meses.

Ele mostra que a rasagilina não combate apenas os sintomas, contendo também sua progressão, segundo os autores. "No grupo tratado precocemente, as atividades cotidianas (se vestir, ir ao banheiro, andar) estavam menos degradadas, explicou Rascol à AFP.

Se o medicamento atuasse apenas sobre os sintomas, os dois grupos deveriam atingir o mesmo resultado depois de 18 meses.

"Seria necessário talvez alterar, com base nesses resultados, as recomendações oficiais (europeias e outras) que instruem atualmente a esperar que os sintomas se tornem suficientemente incômodos (rigidez, lentidão, tremores) para tratar os pacientes", acrescenta o especialista.

"Por exemplo, talvez devêssemos tratar um paciente que tem um pequeno tremor na mão que não o incomode, sem esperar que se torne deficiente", disse.

Segunda causa de deficiências de origem neurológica entre as pessoas idosas, o Mal de Parkinson afeta cerca de 150.000 pessoas na França. A doença ocorre devido à degeneração, no cérebro, dos neurônios dopaminérgicos. A deterioração desses neurônios, envolvidos nas atividades motoras, explica, por exemplo, os tremores e a rigidez características da afecção.

Nenhum dos medicamentos destinados a atenuar os sintomas provou até o momento a sua capacidade de conter o agravamento progressivo da doença.

A equipe de Toulouse trabalhou em colaboração com a equipe norte-americana de Warren Olanow (Nova York) e com o laboratório Teva (Israel), fabricante do medicamento.

BC/dm

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