Agora, Obama volta suas baterias para eleitorado do centro

Ardente liberal e reformista durante as primárias, o candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, sinalizou uma virada para o centro, esta semana - uma inevitável regra do jogo para ganhar a simpatia de uma fatia maior do eleitorado, diante da proximidade das eleições de novembro.

AFP |

Ainda que a mudança continue sendo o centro de sua mensagem, o senador por Illinois (norte) ajustou seu discurso às aspirações de um grande número de americanos e multiplicou as referências ao patriotismo e à fé.

Seus assessores parecem também trabalhar para lhe dar um pouco de folga sobre o Iraque e atenuar o bordão antiguerra repetido durante as primárias, assim como sua promessa de uma retirada imediata das tropas americanas.

"Isso é típico nas campanhas presidenciais: travar a batalha das primárias com posições extremas e, então, tender, docemente, para o centro, com o objetivo de atrair o maior número possível de eleitores para a eleição geral", explica o cientista político Costas Panagopoulos.

"Acho que, para Obama, isso é absolutamente crucial, porque, em larga medida, ele não pode se afastar demais de seu passado (político), que é um dos mais liberais do Congresso", acrescenta Panagopoulos, da Fordham University (Nova York, nordeste).

O senador por Illinois preocupou os liberais na semana passada ao evitar condenar a decisão da Suprema Corte sobre as armas de fogo, em nome da defesa do direito ao porte de armas, julgado inalienável por muitos americanos.

Ele também abandonou suas convicções anteriores - o que levantou críticas da ala esquerda do partido -, ao renunciar ao financiamento público de sua campanha eleitoral, preferindo usar os milhões de dólares arrecadados com correligionários.

Assim como seu adversário republicano, John McCain, Barack Obama também expressou sua discordância com a decisão da Suprema Corte que proibia a aplicação da pena de morte em caso de estupro de crianças não acompanhado de morte.

"A maioria dos candidatos à presidência adapta sua mensagem, depois de obtida a indicação do partido, mas Obama não está apenas orientando seu discurso para o centro (...) ele quer um terceiro mandato Bush", ironizava um editorial do jornal conservador "The Wall Street Journal" esta semana.

Na quinta-feira, a respeito do Iraque, o candidato democrata repetiu, é claro, ser a favor de uma retirada imediata das tropas, embora algumas horas mais cedo tenha dado a entender que poderá "melhorar" sua estratégia, depois da visita que fará no terreno ainda este mês.

O Comitê Nacional do Partido Republicano (RNC, sigla em inglês) reagiu, prontamente, acusando-o de ser volúvel, ao deixar parar dúvidas sobre uma retirada imediata das tropas. "O problema de Obama com o Iraque deprecia o próprio princípio de sua candidatura e o mostra como um político típico", declarou o porta-voz do RNC, Alex Conant.

Duros debates agitaram o site do candidato, após essas mudanças de posição.

"Obama fez mudanças que são, realmente, decepcionantes", escreveu uma internauta identificada como Elisabeth.

"Quanto maior é a esperança, mas dura é a queda, e muitos de nós colocaram suas esperanças muito alto, como nunca antes em nossas vidas", acrescentou.

Em seu blog, a liberal Arianna Huffington adverte Obama para o risco de repetir o erro do democrata John Kerry, em 2004, cuja virada para o centro contribuiu, segundo ela, para que o candidato perdesse a eleição.

col/tt/sd

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG