Agitado panorama político na Bolivia após o referendo constitucional

O panorama político se agita na Bolívia após o referendo que aprovou a Constituição do presidente Evo Morales, com uma oposição que reclama consensos para sua aplicação e um oficialismo que exige uma antecipação da eleição presidencial prevista para dezembro.

AFP |

Morales, que mantém reuniões com seus ministros, quer começar a aplicar a norma constitucional, mas está à espera do resultado final do referendo para convocar os governadores de Santa Cruz, Tarija, Beni e Pando, três das quatro regiões que rechaçaram a nova Carta Magna. Quer reunir-se com eles separadamente.

Leopoldo Fernández, opositor governador de Pando, onde ganhou o 'Não', está preso, acusado de ter ordenado em setembro do ano passado ataques a simpatizantes de Morales, dez quais morreram.

Sobre o convite de Morales, o governador da poderosa região de Santa Cruz, Rubén Costas, disse que "pensarei, mesmo que saiba que ele é o presidente da República e tem o direito de convocar qualquer cidadão". Mas para Costas, não há coerência em fazer reuniões com os governadores separadamente.

O novo texto constitucional reconhece as autonomias, mas as divide em regionais, municipais e indígenas, tirando poder dos governos autônomos. Devido a esta controvérsia, o presidente destacou a "importância dos governadores para aplicar e implementar as autonomias nos distintos departamentos".

A oposição diz que a atitude de suas regiões contra a Constituição obriga a busca de um consenso. Inclusive há uma reivindicação do líder civil de extrema direita de Santa Cruz, Branko Marinkovic, de estabelecer um Estado confederado como "parte da necessidade de aceitar o voto do 'Não' e que o presidente entenda que há duas visões de país", que foi considerado "sedicioso" pelo governo.

O ministro de Desenvolvimento Rural, Carlos Romero, disse que os governadores regionais "têm que adequar seus Estatutos ao texto constitucional, já que não pode haver implementação de fato das autonomias".

"As autonomias se enquadram em um modelo de Estado, se enquadram em uma Constituição, como em qualquer país do mundo, pretender fazer outra coisa seria um erro terrível", advertiu Romero.

Apurados 94,5% dos votos, o 'sim' à nova Constituição estava aprovado com 61,85 dos votos, segundo dados oficiais da Corte Nacional Eleitoral (CNE), que dá ao 'Não' 38,1%.

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