Agentes russos poderiam ser deportados após declaração de culpa

Desfecho para caso de suposta espionagem permitiria aos EUA evitar longos processos e continuar retomada de relações com Moscou

iG São Paulo |

Dez suspeitos de espionar para a Rússia nos EUA poderiam se declarar culpados nesta quarta-feira e posteriormente ser deportados, possivelmente ainda na noite desta quinta-feira, disse uma fonte próxima ao caso à rede de TV CNN.

Segundo a fonte, espera-se que os suspeitos se declarem culpados perante uma corte federal em Nova York em relação a uma das acusações - falhar em registrar-se como agente estrangeiro - e provavelmente serão sentenciados a uma pena já cumprida desde que foram presos, no fim de junho.

De acordo com a imprensa americana, o desfecho para o caso teria sido proposto pelas autoridades dos EUA aos dez presos, parte dos quais já reconheceram ter identidade e documentação falsa e trabalhar para Moscou.

Ao reconhecerem a culpa por delitos menores em troca de penas mais suaves e sua posterior deportação à Rússia, os supostos espiões permitiria aos EUA evitar uma cadeia de longos processos nos quais poderia tornar públicas informações confidenciais sobre os métodos de trabalho dos serviços secretos americanos.

Além disso, tal solução, segundo a imprensa, permitiria a Washington e Moscou fechar o embaraçoso caso de espionagem, que escurece a nova etapa de suas relações bilaterais e poderia prejudicar a ratificação nos EUA do novo tratado de desarmamento nuclear.

A informação sobre o possível acordo surge um dia depois de os supostos espiões, que foram detidos em Nova York, Massachusetts e Virgínia, terem sido indiciados pela Justiça americana e em meio a informações de uma possível troca   dos acusados por agentes condenados na Rússia.

Segundo Anna Stavítskaya, advogada do cientista russo Igor Sutiaguin, a  Rússia, os EUA e a Grã-Bretanha preparam a troca de espiões condenados em território russo por outros detidos em países ocidentais por espionar para Moscou, entre os quais poderiam estar os dez capturados recentemente nos EUA. Segundo ela, Sutiaguin, que cumpre na Rússia uma condenação de 15 anos por espionagem, seria deportado para a Grã-Bretanha em troca de uma pessoa presa nesse país.

O cientista, empregado do Instituto dos EUA e Canadá adjunto à Academia de Ciências da Rússia, foi preso em 27 de outubro de 1999 sob a acusação de entregar documentação militar secreta ao Ocidente. Sutiaguin foi declarado culpado de "alta traição" em favor dos EUA em processo realizado em 2004 e repleto de irregularidades, segundo a Anistia Internacional, que classificou o cientista de "preso político".

A advogada informou que Sutiaguin já foi levado de seu centro penitenciário a Moscou, onde pode ser visitado por seus familiares, que disseram que sua deportação é parte de uma troca entre um grupo de espiões ocidentais por russos.

*Com EFE

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