Agentes indianos ainda tentam vencer resistência de terrorista em hotel

Agus Morales. Mumbai (Índia), 28 nov (EFE) - Após tomar hoje o controle do hotel Oberoi e um centro de estudos judaico, as forças de segurança indianas tentam eliminar a última resistência de um terrorista entrincheirado no hotel Taj Mahal de Mumbai com pelo menos dois reféns em seu poder. Está se movimentando entre dois andares. Há uma pista de dança, onde as luzes foram cortadas, e criou-se uma zona de escuridão, explicou o general Noble Thamburaj, comandante da Região Militar do Sul da Índia e encarregado de coordenar a operação contra os terroristas.

EFE |

Até agora, os ataques contra vários pontos de Mumbai deixaram 148 mortos e 327 feridos, segundo dados oficiais.

As forças de segurança ouviram esta manhã as vozes de um homem e de uma mulher, "por isso é possível que haja dois ou mais reféns e também que haja mais de um terrorista", disse a fonte, citada pela agência "Ians".

Ao longo do dia, os comandos antiterroristas indianos assumiram primeiro o controle do Oberoi, onde percorreram quarto por quarto liberando os hóspedes presos no estabelecimento. No local, dois terroristas foram mortos e 24 corpos foram encontrados, segundo fontes oficiais.

Posteriormente, foi concluída a operação no centro de oração judaico Chabad-Lubavitch, que fica em um prédio de cinco andares que costuma ser freqüentado por turistas israelenses e no qual as forças especiais indianas penetraram após descerem de helicóptero até o teto do edifício.

Os agentes se enfrentaram durante horas com os terroristas e mataram dois deles, afirmou J.K.Dutt, chefe da Guarda Nacional de Segurança, a corporação responsável pela operação antiterrorista.

De acordo com Dutt, os terroristas mataram cinco dos oito reféns que mantiveram no centro, entre eles o rabino e a esposa, cujo filho de dois anos conseguiu fugir do lugar.

O atentado contra a capital financeira da Índia começou na quarta-feira com um desembarque noturno de um número indeterminado de terroristas nas proximidades do histórico hotel Taj Mahal.

Armados com metralhadoras e granadas, os terroristas semearam o pânico na turística zona de Colaba, sul de Mumbai, atacando indiscriminadamente os ocupantes de uma estação ferroviária, vários restaurantes e os dois hotéis de luxo nos quais finalmente se entrincheiraram junto ao centro de oração judaico.

A maioria dos mortos era formada por cidadãos indianos, entre eles funcionários dos dois hotéis, além de 14 policiais e dois comandos especiais, segundo a última contagem oficial.

Pelo menos dez estrangeiros morreram e outros 22 ficaram feridos.

Da operação contra os terroristas participaram quase 500 membros das forças indianas de segurança, que mataram 11 deles e ainda enfrentam os que resistem no Taj Mahal.

Embora Colaba tenha sido uma zona de guerra durante dois dias, no resto da cidade sentia-se hoje uma estranha normalidade e os curiosos se aproximavam para observar as operações em andamento sem que um cordão de segurança os impedisse.

O ataque ao centro judaico foi recebido com gritos de alegria pela multidão que observava os agentes, o que obrigou a Polícia a dispersar as pessoas, advertindo-as de que o perigo ainda não tinha acabado.

Embora na quinta-feira fontes oficiais tenham afirmado que haviam detido três dos terroristas, o número foi hoje reduzido para um, identificado como um paquistanês.

O ministro de Exteriores indiano, Pranab Mukherjee, reiterou as suspeitas já manifestadas na quinta-feira de que "alguns elementos no Paquistão são responsáveis pelos ataques terroristas de Mumbai".

Ele exigiu ao Governo paquistanês que "cumpra seu compromisso de não permitir o uso de seu território para (a organização de atos de) terrorismo contra a Índia".

O chefe do Governo indiano, Manmohan Singh, pediu ao premiê paquistanês, Yousuf Raza Gillani, o envio à Índia do diretor dos serviços secretos do Paquistão (ISI), Ahmed Shuja Pasha, para trocar informação sobre os atentados de Mumbai.

Gillani, que aceitou o pedido, tinha ligado por telefone a Singh para manifestar sua "forte condenação" dos atentados e reiterar seu apoio à Índia "para lutar juntos contra o extremismo e o terrorismo". EFE amp/db

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