Agentes do FBI no Iraque receberam US$ 45 mil de hora extra sem trabalhar

Washington, 19 dez (EFE) - Agentes do FBI (Polícia federal americana) desdobrados no Iraque, em missões que rondavam os 90 dias, receberam uma média de US$ 45 mil em horas extras, embora não tenham sido fruto de trabalho real, mas de lazer, como fazer esportes, ver filmes ou comparecer a festas. Um relatório do inspetor-geral do Departamento de Justiça, citado pelo The Washington Post, informa que diretores do FBI encorajaram durante cinco anos os funcionários destinados temporariamente no país a incluírem em suas contas horas extras com o argumento de que trabalhavam 16 horas ao dia, sete dias na semana. Os diretores da divisão de luta antiterrorista do FBI permitiram uma prática sob a qual um total de 1.150 empregados ganharam entre, 2003 e 2007, cerca de US$ 71 mil em uma missão que normalmente dura 90 dias, quase o triplo do salário habitual.

EFE |

A média recebida pelos agentes destinados no Iraque, no entanto, foi de US$ 45 mil.

Esta prática, que viola leis federais, custou aos contribuintes americanos pelo menos US$ 7,8 milhões em remunerações indevidas a agentes do FBI, que mudou sua política para o pagamento de horas extras em 2008, indica o jornal.

"Averiguamos que, em geral, poucos ou nenhum dos empregados trabalharam exatamente 16 horas ao dia, todos os dias, durante 90 dias seguidos, dentro do significado que se dá ao termo 'trabalhar' nas normas e políticas aplicáveis", concluiu o escritório do inspetor geral, Glenn A. Fine, em seu relatório.

Vários empregados do FBI afirmaram que o tempo que passaram em uma festa semanal foi 'trabalho' porque serviu para estreitar relações com trabalhadores de outras agências governamentais.

Outros recebiam horas extras pelo tempo dedicado a lavar a roupa, e um agente defendeu a prática alegando que "quando faz isso, qualquer coisa que você faz para sobreviver é trabalho para o FBI", destacou o "Washigton Post".

O diretor adjunto do FBI, John Miller, admitiu que diretores do órgão "permitiram que um sistema defeituoso evoluísse e se estabelecesse durante tempo demais" entre os agentes.

Funcionários do FBI enviados ao Iraque ajudaram a investigar Saddam Hussein e seus parceiros, interrogar os detidos em Abu Ghraib e analisaram evidências para proteger alvos americanos de atentados terroristas.

Também ajudaram as autoridades iraquianas na investigação de bombardeios e de outros crimes, afirma o relatório.

O então subdiretor adjunto da divisão de luta antiterrorista, T.J. Harrington, disse que o pagamento foi justificado porque os agentes estavam constantemente de guarda, não tinham liberdade para deixar para ter tempo livre e fizeram esporte para se manter em forma e relaxar.

Por isso, uma remuneração generosa era necessária para atrair voluntários para uma missão perigosa e incômoda.

O inspetor-geral não encontrou provas de que os diretores da divisão de luta antiterrorista tenham entrado em contato com o diretor-geral do FBI sobre os salários de seus agentes no Iraque, algo que qualificou de "inexplicável".

Fine também achou problemas similares com empregados do FBI no Afeganistão e de outros trabalhadores do Departamento de Justiça nesse país e no Iraque. EFE cae/db

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