Londres, 28 jun (EFE).- Agentes do regime do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, estão aterrorizando dissidentes desse país que vivem no Reino Unido, denuncia hoje o diário britânico The Independent.

Essa "campanha de intimidação" tem como objetivo silenciar seus rivais políticos e impedir o envio de dinheiro ao Movimento para Mudança Democrática (MDC), liderado pelo opositor Morgan Tsvangirai.

Segundo o "Independent", o serviço de segurança do regime, a chamada Intelligence Organization, comanda uma bem orquestrada campanha para semear o pânico entre os quatro mil filiados ao partido opositor que vivem no Reino Unido.

Os agentes de Mugabe fazem ligações telefônicas ameaçadoras e enviam mensagens nas quais comunicam que a arrecadação de fundos para o MDC foi suspensa.

Fontes dos serviços de inteligência britânicos confirmaram na noite de ontem a existência dessa campanha, e disseram que ela foi intensificada nas últimas semanas.

Segundo fontes da oposição do Zimbábue, a campanha tenta principalmente interromper o fluxo de dinheiro do Reino Unido ao Zimbábue, que servia para financiar as atividades da oposição.

"O dinheiro era muito importante para financiar a campanha (eleitoral) de Tsvangirai. Serve para comprar 10 mil litros de combustível por mês e enviar cargas de telefones celulares", disse ao jornal Tendai Goneso, tesoureiro do MDC nas ilhas britânicas.

"Estão filmando nossos filiados, e os acusando de fazer o trabalho do 'homem branco'. Além disso, eles recebem ligações com advertências de que seus nomes estão em uma lista em Harare", denunciou Goneso.

Segundo o "Independent", os agentes do regime de Mugabe filmam os protestos em frente à Embaixada do Zimbábue em Londres e dizem aos participantes que suas famílias "sofrerão as conseqüências".

Além disso, confiscaram 60 mil boletins do MDC que seriam enviados em segredo a Harare para distribuição nos comícios eleitorais.

Os espiões do Zimbábue também conseguiram interceptar informação enviada da sede do MDC em Londres a seu quartel-general de Harare.

Com isso, as autoridades do Zimbábue puderam confiscar telefones celulares que seriam enviados às zonas rurais para que os moradores informassem sobre eventuais atos de violência. EFE jr/mh

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