Agente diz que Jean Charles não foi identificado na perseguição

Londres, 31 out (EFE).- Um policial que perseguiu Jean Charles de Menezes no dia em que o brasileiro foi morto no metrô de Londres disse hoje que não houve uma identificação exata da vítima antes do tiroteio.

EFE |

O policial fez essa afirmação durante seu comparecimento perante a investigação pública do caso, que acontece em um estádio do sul de Londres, perto da estação de metrô de Stockwell, onde o brasileiro foi baleado em 22 de julho de 2005.

O agente, identificado na sala simplesmente como Ken, declarou que não conseguiu ver com clareza o rosto de Jean Charles antes de ele ter subido em um ônibus em direção à estação de Stockwell.

Ken relatou que o centro de controle da operação pediu a seu chefe direto que desse uma "porcentagem" sobre a probabilidade de que o homem que perseguiam era o terrorista procurado.

"Parece que ele (o chefe de Ken) disse que isso era impossível, mas que, 'se serve para algo, acho que é ele", assinalou o policial.

Ken explicou que só conseguiu ver a parte direita do rosto de Jean Charles quando ele chegou à estação de metrô, que seguiu pelas escadas até o trem e que, "em nenhum momento, aconteceu uma identificação por parte da equipe cinza", que fazia a perseguição.

Essa versão contradiz o testemunho de um dos agentes que disparou contra o jovem brasileiro.

Ken também comentou que os franco-atiradores gritaram "Polícia armada" para advertir Jean Charles sobre sua presença quando buscavam entrar no trem.

A informação foi negada por Rachel Wilson, uma mulher que viajava sentada no metrô em frente ao brasileiro no momento do fatídico erro policial e que, em princípio, pensou que os agentes - vestidos à paisana - eram "terroristas".

"Se tivesse escutado isso (que eram da Polícia), teria pensado que eram policiais. Portanto, não ouvi", assinalou a testemunha, ao ressaltar que se deu conta da gravidade do fato quando viu sangue.

A investigação pública sobre o caso Jean Charles começou em setembro passado e espera-se que dure cerca de três meses. EFE pa/rr

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