Agente diz que atirou em Jean Charles após ele ser identificado como suspeito

Londres, 28 out (EFE).- Um dos dois agentes que mataram o brasileiro Jean Charles de Menezes afirmou hoje que atirou após ouvir que o jovem tinha sido identificado de forma veemente como o suspeito que estavam procurando.

EFE |

"Ouvi (os agentes do dispositivo de vigilância) dizerem: 'sem dúvida é nosso homem'", disse o agente, identificado apenas como C2, durante a investigação pública sobre a morte do brasileiro.

O oficial, membro da unidade armada de elite CO19 da Scotland Yard e que nunca tinha atirado antes em um suspeito, aproveitou seu comparecimento para dar os pêsames à família de Jean Charles.

O jovem brasileiro, que tinha 27 anos e trabalhava como eletricista, foi baleado à queima-roupa em 22 de julho de 2005 no metrô de Londres, ao ser confundido com Hussain Osman, um terrorista que um dia antes tinha tentado cometer um atentado contra a rede de transportes da capital britânica.

C2, que disparou contra o brasileiro depois que seu colega, identificado como C12, abriu fogo, disse que temeu por sua vida durante a operação.

"Ouvi pela rádio (da Polícia) que (Jean Charles) estava nervoso e agia de forma estranha", continuou o oficial, que precisou que em seus 17 anos de serviço como agente da unidade armada nunca antes tinha enfrentado uma ameaça semelhante.

Seu colega foi acusado ontem de exagerar seu testemunho para justificar sua decisão de abrir fogo ao insistir em que gritou "Polícia armada" antes de atirar, apesar de outras testemunhas não terem ouvido essa advertência.

Hoje, C2 declarou que, quando chegaram ao vagão de metrô da estação de Stockwell (sul de Londres) onde estava Jean Charles, não fez nenhuma advertência, porque temia que o brasileiro fosse um terrorista suicida.

Ao ser perguntado por que disparou seis vezes, respondeu que, no momento de apertar o gatilho, pensou que tanto ele quanto as outras pessoas estavam prestes a morrer.

Além disso, disse que, da sua posição, não tinha certeza de que pudesse dominar o suspeito de forma imediata.

C2 afirmou que, após o tiroteio, se sentiu "aliviado", porque achou que tinha salvado tanto sua vida quanto a dos colegas e dos cidadãos que viajavam no metrô, mas que, quando no dia seguinte soube do engano, se sentiu "profundamente comovido".

"Era algo que ia contra tudo aquilo para o que tinha sido treinado", disse o agente, que acrescentou que pensava no que aconteceu "a cada dia".

Um câmera de televisão foi detido hoje quando tentou gravar o outro agente armado que atirou em Jean Charles, identificado como C12, após depor na investigação, que ocorre desde 22 de setembro no estádio de críquete Brit Oval, no sul de Londres. EFE ep/pq

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