Agente da Scotland Yard nega ter identificado Jean Charles como suspeito

Londres, 10 out (EFE).- Um agente da equipe de vigilância da Scotland Yard contradisse hoje sua superior, a subcomissária Cressida Dick, ao dizer que nunca afirmou que Jean Charles de Menezes tinha sido identificado como suspeito.

EFE |

Em seu comparecimento perante o júri que investiga a morte do brasileiro, o agente, identificado apenas como "Pat", explicou que sempre teve "a impressão de que o sujeito" continuava "sem ser identificado".

A subcomissária Dick, que prestou declarações de segunda a quarta-feira, era a oficial encarregada da operação que resultou na morte de Jean Charles em 22 de julho de 2005, quando dois policiais dispararam contra o brasileiro em uma estação do metrô de Londres ao confundi-lo com um dos autores dos atentados fracassados da véspera.

Pat, que prestou depoimento por trás de uma tela para manter o anonimato, foi nesse dia a ligação entre a equipe de vigilância no local e Dick, e se encarregou de fazer um registro de todos os incidentes.

O advogado da subcomissária na audiência de hoje, David Perry, perguntou à testemunha se lembrava de ter dito a ela que "acreditavam ser ele".

O agente respondeu que "certamente não, já que isso teria significado que uma identificação positiva tinham sido feita, o que, portanto, teria sido registrado no diário imediatamente".

Dick também declarou que Pat tinha dito que o suspeito que eles estavam seguindo "estava muito nervoso".

A testemunha insistiu em que, segundo sua percepção dos fatos, Jean Charles "sempre se manteve como possivelmente identificável como" Hussain Osman, um dos terroristas que na véspera tentaram atentar contra a rede de transporte público de Londres.

Pat declarou que, logicamente, dada a atividade na sala de operações, não tem certeza de tudo o que a subcomissária pode ter ouvido, ou se alguma outra pessoa falou com a equipe de vigilância.

Na quinta-feira, outra autoridade policial que participou da operação disse que, pessoalmente, não teve conhecimento de que Jean Charles tenha sido identificado como o suspeito Osman.

Essa testemunha, um chefe de operações da unidade especial identificado como "Brian", explicou que na sala de controle da Polícia Metropolitana de Londres (Scotland Yard) havia muito "barulho" nesse dia e ele nem sequer sabia quem estava no comando.

EFE jm/ab/rr

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