Agente afirma que Tony Blair foi consultado sobre morte de Jean Charles

Londres, 5 nov (EFE) - O ex-primeiro-ministro do Reino Unido Tony Blair foi consultado pela Polícia sobre a morte do brasileiro Jean Charles de Menezes por agentes que o confundiram com um terrorista, segundo afirmou hoje o inspetor-chefe de Polícia Stephen Costello. O agente fez a declaração perante a investigação pública do caso em Londres, realizada no estádio de críquete de Oval, no sul de Londres, perto da estação de metrô de Stockwell, onde o brasileiro foi baleado em 22 de julho de 2005. Segundo Costello, Blair, então premiê, foi consultado pela Scotland Yard sobre a decisão policial de impedir o acesso de investigadores independentes ao local do fato. O inspetor-chefe, membro da Scotland Yard, se referiu à Comissão Independentes de Queixas contra a Polícia (IPCC), que não teve acesso à estação de metrô na qual Jean Charles foi morto devido a um impedimento por parte da Polícia. Isso (a proibição de acesso da IPCC) ocorreu a pedido do comissário-chefe (da Scotland Yard) e anotei (naquele momento) que o primeiro-ministro tinha sido consultado. Isso é o que lembro daquele momento em que escrevi a nota, explicou Costello.

EFE |

Questionado sobre por que Blair foi consultado, ele respondeu: "Se tratava de uma investigação antiterrorista em curso".

Mais cedo, o perito que examinou o corpo de Jean Charles, o patologista Kenneth Shorrock, também prestou depoimento perante a investigação pública.

Shorrock destacou que recebeu informação errada da Polícia quando visitou o local.

O patologista foi informado pelos agentes que o acompanharam na perícia da estação de metrô de Stockwell que o brasileiro tinha pulado as catracas de acesso e tropeçado nas escadas em sua suposta fuga das autoridades.

Ao ser perguntado pelo advogado da família, Michael Mansfield, sobre por que esses dados incorretos figuravam entre suas anotações iniciais, o perito respondeu: "Foi o que me disseram".

"O que aconteceu é que havia muitos agentes presentes e fizemos um percurso" pela estação, explicou o médico, que disse não poder se lembrar de quem fez as declarações, nem se era um oficial com categoria.

Posteriormente, foi confirmado que o brasileiro, executado pela Polícia londrina ao ser confundido com um terrorista suicida, entrou na estação como um usuário comum, e foi a vítima inocente de um erro policial.

O médico também declarou que apenas um tiro teria sido suficiente para imobilizar o jovem eletricista, que não teria conseguido sobreviver a nenhum dos quatro disparos recebidos na cabeça.

Jean Charles recebeu sete tiros na cabeça e um no ombro efetuados por agentes à paisana que o confundiram com um dos autores dos ataques fracassados de 21 de julho de 2005.

Outra testemunha na sessão de hoje foi o ex-subcomissário adjunto Brian Paddick, que na época do caso discordou dos colegas sobre quando o então comissário da Scotland Yard, Ian Blair, tinha sabido que um inocente tinha sido morto.

Em sua primeira declaração perante a investigação, Paddick, que este ano foi candidato à Prefeitura de Londres, afirmou que a ordem dada pela oficial ao comando da operação, Cressida Dick, sobre como os agentes deviam proceder era "ambígua".

A ordem foi "detenham-no, mas independente do que fizerem, não o deixem entrar no metrô".

Paddick também disse que, segundo o regulamento da Scotland Yard, o papel de Dick como "oficial de categoria designada" para supervisionar a operação devia ser se ocupar exclusivamente "da decisão de atirar". EFE pa/db

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