Agências humanitárias seguem em queda-de-braço com Governo de Mianmar

Fernando Mullor-Grifol Bangcoc, 15 mai (EFE) - As agências de ajuda humanitária dão prosseguimento hoje à queda-de-braço com a Junta Militar que governa Mianmar (antiga Birmânia), que impede que entidades internacionais entreguem auxílio diretamente às vítimas do ciclone Nargis. As conseqüências da tragédia são noticiadas de forma diferente pelo Governo birmanês, que afirma que a situação está sob controle, e pelos voluntários e habitantes das regiões afetadas, que ressaltam a destruição e as péssimas condições em que vivem os sobreviventes. Um médico birmanês disse à revista de oposição The Irrawaddy, editada na Tailândia, que a cada dia morrem pelo menos sete pessoas nos centros de ajuda humanitária na região do delta do rio Irrawaddy, que, ao lado da cidade de Yangun, é a região mais afetada pelo Nargis. Segundo o médico, o número de sobreviventes nesta região chegaria a 100 mil e as autoridades confiscaram remédios e equipamentos cedidos pela ONG Merlin. O panorama relatado pelo birmanês é bem diferente do descrito pelo primeiro-ministro de Mianmar, o general Thein Sein, e pelo chefe do Governo Tailandês, Samak Sundaravej, que durante um encontro em Yangun disseram que não viram pessoas doentes, com fome ou em estado debilitado de saúde. Para Thein Sein, seu país só precisa de ajuda financeira e de material para os desabrigados e não necessita de especialistas estrangeiros. As autoridades birmanesas afirmam que já transportaram para a...

EFE |

403 feridos e 27.838 pessoas desaparecidas.

O regime militar birmanês montou centros de atendimento em quase todas as áreas arrasadas, porém ainda não divulgou estimativas de quantas pessoas podem receber auxílio nestes postos de ajuda.

Austrália, Bangladesh, Camboja, China, Coréia do Sul, Espanha, Estados Unidos, Grécia, Índia, Indonésia, Itália, Paquistão, Rússia, Cingapura e Tailândia são, entre outros, países que deram algum tipo de ajuda para Mianmar.

A ONU calcula que chegaram a Mianmar entre 25 e 30 vôos nas duas últimas semanas. Apenas os EUA enviaram oito aviões militares Hércules C-130 desde domingo.

Só ontem, chegaram ao aeroporto de Yangun, além de cinco aviões americanos, um fretado pela Unicef, um dos Médicos Sem Fronteiras, dois da Tailândia, um do Programa Mundial de Alimentos e um da Suíça.

Apesar da ajuda que chega ao país, voluntários estrangeiros seguem sem conseguir visto de entrada em Mianmar.

A ONG Visão Mundial, que assinou um memorando de entendimento com o Governo birmanês, tem 585 pessoas no país - quase todos birmanesas - e, apesar de ter pedido 21 vistos de entrada em Mianmar, só teve dois concedidos.

A Junta Militar pediu a colaboração de 160 especialistas de Tailândia, Índia, China e Bangladesh, nações consideradas amigas pelo Governo birmanês.

A Tailândia enviará amanhã uma equipe médica formada por 30 pessoas para atender os desabrigados. EFE fmg/rr/fal

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