Agências humanitárias da ONU pedem acesso às áreas em conflito na Géorgia

Genebra, 15 ago (EFE).- As agências humanitárias das Nações Unidas solicitaram hoje o pleno e seguro acesso a todas as áreas nas quais acontecem o conflito na Geórgia para poderem atender a todas as vítimas.

EFE |

"Pedimos acesso total e livre para podermos distribuir em todos os lugares a ajuda necessária", disse em entrevista coletiva a porta-voz do Escritório das Nações Unidas para Assuntos Humanitários (Ocha), Elisabeth Byrs.

"Necessitamos de um acesso total e o mais rápido possível", acrescentou Byrs após explicar que, caso este não seja autorizado, não poderão ajudar as pessoas e também não poderão avaliar as necessidades da população.

"Não podemos chegar a certas áreas nas quais sabemos que somos necessários, pois não temos permissão. As autoridades nos dizem que nos darão autorização assim que puderem, mas, por enquanto, por razões de segurança, não é possível", afirmou a porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), Anna Nelson.

"Temos uma equipe pronta para partir quando for necessário, mas temos de estar seguros de que foram dadas as condições de segurança", acrescentou Anna.

Byrs afirmou que a instituição está preparando um apelo de urgência para arrecadar fundos destinados a ações na área em conflito.

Até o momento a agência trabalha com um orçamento de US$ 15 milhões.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) expressou sua preocupação com a proximidade do começo do ano letivo e a necessidade de milhares de crianças de começarem a estudar normalmente, o que parece difícil.

Por enquanto as agências humanitárias têm duas prioridades: a comida e os refúgios.

Byrs explicou que as reservas armazenadas que o Programa Mundial de Alimentos (PAM) da ONU tinha na Geórgia estão acabando.

Além disso, é necessário reordenar os refúgios onde vivem os deslocados internos.

Segundo os últimos dados atualizados do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) o número de deslocados internos já chega a 118 mil.

As informações com as quais o Acnur conta falam de 30 mil pessoas originárias da Ossétia do Sul na Federação Russa, outras 15 mil na Geórgia e 73 mil georgianos espalhados pelo interior de seu país.

Todos estes deslocados estão acomodados em 210 refúgios diferentes.

O porta-voz do Acnur, Rod Redmon, explicou que assim que a tensão diminuir provavelmente alguns dos deslocados voltarão a seus locais de origem, "o problema é saber em que condições estarão suas casas".

O alto comissário da Acnur António Guterres irá à Geórgia e à Rússia na próxima semana para avaliar a situação, embora ainda não tenha sido determinado com quem se reunirá nem a rota que seguirá.

Até o momento o Acnur distribuiu mais de 100 toneladas de material com o qual se pretende ajudar mais de 50 mil pessoas.

A instituição expressou sua preocupação com a segurança e denunciou que uma de suas equipes foi interceptada ontem por pessoas armadas que roubaram dois veículos, embora ninguém tenha ficado ferido. EFE mh/fh/fal

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