Agência nuclear da ONU propõe envio de missão ao Irã

Diretor da AIEA disse que grupo de especialistas iria ao país para esclarecer dúvidas sobre programa nuclear expostas em relatório

iG São Paulo |

AP
O diretor-geral da AIEA, Yukiya Amano, durante reunião da organização em Viena, na Áustria
O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Yukiya Amano, anunciou nesta quinta-feira ter proposto o envio de uma missão ao Irã para esclarecer dúvidas sobre o programa nuclear do país.

Amano informou ter escrito a uma alta autoridade autoridade do setor nuclear iraniano para propor a visita, na qual seriam esclarecidas as questões levantadas no último relatório do órgão , que é agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU).

Segundo Amano, é "essencial" que o Irã responda às perguntas levantadas pelo relatório. "Se o Irã não fornecer a cooperação necessária, a agência não poderá dar uma garantia confiável em relação à ausência de material e de atividades nucleares não declaradas pelo Irã", afirmou. "Portanto, (não poderá) chegar à conclusão de que todos os materiais nucleares do Irã são utilizados para fins pacíficos."

No relatório, divulgado no início do mês, a AIEA afirmou pela primeira vez que o Irã é suspeito de conduzir experimentos secretos cujo único propósito é o desenvolvimento de armas nucleares.

De acordo com o documento, enquanto parte do trabalho nuclear secreto do Irã pode ter propósitos pacíficos, "outros são específicos para armas nucleares".

Um anexo de 13 páginas ao relatório da agência sobre o Irã detalha inteligência e pesquisa da AIEA que mostram que Teerã trabalha em todos os aspectos de pesquisa com o objetivo de construir uma arma, incluindo produzir uma ogiva para um míssil.

Em resposta ao relatório, o presidente do Irã, Mahmoud Ajmadinejad, disse que o país não vai recuar em seu programa nuclear , que, voltou a dizer, tem apenas fins pacíficos.

“Não vamos recuar no caminho que estamos seguindo”, afirmou. “Por que a agência nuclear da ONU arruína seu prestígio com afirmações absurdas dos Estados Unidos?”, questionou.

“Nossa nação é sábia. Não vamos construir duas bombas atômicas contra as 20 mil que vocês têm”, afirmou, aparentemente se dirigindo aos países ocidentais. “Mas construímos coisas às quais vocês não conseguem responder: ética, decência, monoteísmo e justiça.”

Com AFP e Reuters

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