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Agência ligada às Farc diz que missão por Betancourt é ingênua

A Agência de Notícias Nova Colômbia (Anncol) próxima às Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), publicou editorial nesta quinta-feira em que chama de ingênua a decisão do presidente francês, Nicolas Sarkozy, de enviar uma missão médica para tentar atender à ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt sem antes ter acordado tal procedimento com a guerrilha. A Anncol é conhecida por divulgar informações e comunicados oficiais da guerrilha e no ano passado foi criticada pelo presidente colombiano, Álvaro Uribe, por estar a serviço do terrorismo.

BBC Brasil |

A missão realizada pela França em conjunto com a Espanha e a Suíça chegou na madrugada desta quinta-feira à Colômbia e aguarda que as Farc enviem as coordenadas do local em que Betancourt poderia receber atendimento médico.

"Aonde irão os delegados do presidente francês e os voluntários da Cruz Vermelha Internacional? Onde aterrissarão os helicópteros? Quem lhes dará as coordenadas?" questiona a Anncol.

"Até para uma libertação unilateral é necessário que as partes acordem algum mecanismo, ao menos de segurança. É de se estranhar que o presidente Nicolas Sarkozy seja tão ingênuo e o CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) o acompanhe em tão perigosa aventura", disse a nota publicada nesta quinta-feira.

O CICV nega qualquer participação na missão. "Nossa participação não foi solicitada por nenhum governo até o momento", disse à BBC Brasil o porta-voz do CICR Carlos Rios.

Na Hungria, Sarkozy disse que tinha informações sobre um possível avanço da missão, mas não revelou detalhes. "Tenho notícias, mas tendo em conta a sensibilidade do tema prefiro não adiantar nada", afirmou o mandatário francês.

Corredor desmilitarizado
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, comprometeu-se a suspender as operações militares em uma zona específica para facilitar a atuação da comissão médica. O governo colombiano também disse estar disposto a oferecer helicópteros à missão para facilitar o acesso na selva.

A Anncol diz que os meios de comunicação próximos ao governo de Álvaro Uribe criaram uma "artimanha midiática" que "cheira mal".

"Amanhã não venham com a história de que as Farc não enviaram as coordenadas. Observem que (o presidente Álvaro) Uribe zomba mais uma vez dos que acreditam em seus 'cantinflescos' (atrapalhados, em tradução livre) discursos".

Libertação
A irmã de Ingrid, Astrid Betancourt, disse ao canal RCN ter esperanças de que sua irmã possa ser atendida pelos médicos e que a comissão internacional que os acompanha possa negociar com a guerrilha sua libertação.

"Espero que cara a cara possam dialogar e entrar em um acordo para libertá-la", disse Astrid.

Além da equipe médica, a missão é composta pelo ex-cônsul francês em Bogotá Noel Saez e o assessor do governo suíço Jean-Pierre Gontard, que atuaram durante anos como os principais emissários europeus nos contatos com a guerrilha a favor da libertação de reféns.

Seqüestrada há seis anos, Betancourt está com hepatite B e sofreria também de leishmaniose.

O filho da ex-candidata presidencial, Lorenzo Delloye, também confirmou que sua mãe está fazendo greve de fome e que necessita de uma transfusão de sangue. "Caso contrário vai morrer", disse Delloye.

As negociações para um acordo humanitário foram interrompidas desde que o Exército colombiano bombardeou um acampamento das Farc no Equador, dia 1º de março, ação que resultou na morte de Raúl Reyes, número dois da guerrilha e desencadeou uma crise diplomática na região.

Reyes era o interlocutor das Farc nas negociações para o acordo que busca colocar em liberdade 40 seqüestrados, entre eles Ingrid Betancourt, em troca da libertação de 500 guerrilheiros.

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