Agência da ONU suspende atuação em Gaza; mortos já são 750

Por Nidal Al Mughrabi GAZA (Reuters) - Piorou na quinta-feira a situação dos palestinos na Faixa de Gaza, depois de uma agência da ONU suspender sua atuação humanitária, alegando risco excessivo para os seus funcionários, como reação à morte de dois deles, vitimados pelas forças israelenses que enfrentam o grupo islâmico Hamas.

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Israel também sofreu duras críticas da Cruz Vermelha Internacional, que acusou o país de estar protelando o acesso de ambulâncias às vítimas.

Fontes médicas de Gaza e o Crescente Vermelho resgataram mais de 35 corpos de áreas de confrontos no norte e leste da região, elevando a 765 o total de palestinos mortos em 13 dias de conflito.

Os esforços internacionais para acalmar a situação ainda não frutificaram, mas Estados Unidos, Grã-Bretanha e França retiraram sua objeção a uma resolução de cumprimento obrigatório da ONU, e agora discutem um texto que deve exigir um cessar-fogo imediato, segundo diplomatas.

O texto também deve exigir a abertura das fronteiras de Gaza, mas, numa concessão a Israel, deve citar a necessidade de medidas para impedir que o Hamas se rearme.

Nem Israel nem o Hamas ainda concordaram com a proposta de trégua feita por Egito e Europa, com apoio dos EUA.

Longe dos círculos diplomáticos, as agências humanitárias enfrentam riscos crescentes.

"A UNRWA (agência da ONU que presta assistência aos palestinos) decidiu suspender todas as suas operações na Faixa de Gaza devido às crescentes ações hostis contra suas instalações e seu pessoal", disse Adnan Abu Hasna, porta-voz da agência em Gaza.

Dois palestinos que operavam empilhadeiras num comboio da UNRWA morreram depois de serem atingidos por disparos de um tanque israelense. Todos os comboios que transportavam mantimentos a partir de pelo menos duas passagens na fronteira com Israel foram suspensos depois do incidente.

A UNRWA dá assistência, inclusive alimentar, a cerca de 750 mil habitantes de Gaza, metade da população do território. Christopher Gunness, porta-voz da agência, disse que o trabalho ficará suspenso "até que o Exército israelense possa garantir a segurança dos nossos funcionários".

Israel já atingiu também duas escolas da UNRWA, matando mais de 45 palestinos, segundo fontes médicas em Gaza.

Desde o início da atual guerra, em 27 de dezembro, 11 israelenses morreram, sendo 8 soldados (4 deles atingidos por "fogo amigo").

Na quinta-feira, mais de 12 foguetes atingiram o sul de Israel.

CRIANÇAS FAMINTAS

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha disse que seus funcionários encontraram quatro crianças famintas dentro de uma casa, encolhida junto aos corpos de 12 pessoas, inclusive suas mães, numa casa a cerca de 80 metros de uma posição militar israelense.

Israel diz que a ação militar visa a impedir que o Hamas dispare foguetes contra seu território. O Hamas diz que os foguetes são uma reação ao bloqueio econômico e a ações militares prévias de Israel.

O primeiro-ministro israelense, Ehud Olmert, disse que o objetivo de que "a tranquilidade reine suprema" na área ainda não foi atingido, e sinalizou que ainda haverá mais ações militares.

A polícia disse que um foguete vindo do Líbano abriu um buraco no telhado de uma casa de idosos, ferindo duas pessoas na cidade de Nahariya (norte de Israel).

O Exército, que em 2006 travou uma guerra de 34 dias contra a guerrilha xiita Hezbollah, reagiu apenas com alguns disparos de artilharia. Não há relatos de feridos no lado libanês.

Assim como fez na quarta-feira, Israel suspendeu momentaneamente os ataques na quinta-feira para permitir que a população compre mantimentos.

Embora mantenha a ofensiva, Israel diz ter aceitado os "princípios" da proposta euro-egípcia. Washington pediu a Israel que estude o plano.

Autoridades do Hamas, grupo qualificado como terrorista pelo Ocidente, disse que a facção islâmica também está avaliando.

Governos europeus ofereceram o envio de uma força especial para impedir que o Hamas use túneis sob a fronteira com o Egito para se rearmar.

O grupo islâmico controla a Faixa de Gaza desde 2007. Em dezembro, terminou uma trégua de seis meses entre o Hamas e Israel.

(Reportagem adicional de Yara Bayoumy em Beirute, Nidal al-Mughrabi em Gaza e Allyn Fisher-Ilan e Dan Williams em Jerusalém)

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