Agência da ONU suspende ajuda humanitária; número de mortos em ascensão

A situação humanitária, que já é grave, ainda pode piorar na Faixa de Gaza, com o anúncio pela Agência da ONU de ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) da suspensão de todas suas atividades no território - um de seus comboios foi atingido por obuses israelenses. Um motorista palestino morreu no incidente, perto do terminal de Erez.

AFP |

"A UNRWA suspendeu suas operações em Gaza", afirmou Chris Gunness, porta-voz da agência. "Vamos manter esta suspensão até que as autoridades israelenses possam garantir a segurança de nossas equipes", acrescentou.

A UNRWA distribui alimentos a cerca de 750.000 pessoas em território palestino.

"Manteremos esta suspensão até que as autoridades israelenses garantam a segurança de nossas equipes", acrescentou Gunness.

"Dois morteiros atingiram de perto um caminhão do comboio que se dirigia a Erez e uma pessoa foi morta", informou, explicando que o transporte havia sido coordenado com o exército israelense.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou o ataque ao comboio, indicou o porta-voz da Organização em um comunicado, divulgado em Nova York e Jerusalém.

"As Nações Unidas estão em contato com as autoridades israelenses para uma investigação completa deste e de outros incidentes e a discussão da necessidade de medidas urgentes para evitá-los no futuro", acrescenta a nota.

Ban Ki-moon "faz um apelo mais uma vez pelo cessar-fogo imediato, com o objetivo de facilitar o acesso total e sem obstáculos e permitir que os voluntários trabalhem em segurança e cheguem até as pessoas necessitadas".

O número de vítimas da ofensiva israelense na Faixa de Gaza subiu nesta quinta-feira, para 763 mortos, após novos ataques mortíferos e a recuperação de muitos corpos pelos socorristas durante uma pausa nos bombardeios. A ofensiva israelense na Faixa de Gaza entrou no seu 13º dia e já deixou mais de 3.200 feridos, segundo o chefe dos serviços de emergência, Muawiya Hassanein.

Paralelamente, foguetes disparados no Líbano se abateram sobre o norte de Israel.

Cerca de vinte pessoas, entre elas mulheres e crianças, morreram em novos ataques israelenses. Os socorristas aproveitaram a pausa diária de três horas nos bombardeios para retirar corpos sob os escombros de prédios destruídos ou abandonados nas zonas de combate.

"O número de vítimas aumentou, depois da evacuação de muitos corpos de zonas às quais não tínhamos acesso, sobretudo em Jabaliya e Atatra (norte) e Zeitun (um bairro da Cidade de Gaza)", explicou Hassanein.

A maior parte das vítimas morreu ao ser atingida por tiros israelenses nos setores de Beit Layha e Jabaliya (norte).

Um oficial israelense foi morto e um soldado ficou ferido em combates ao norte da Cidade de Gaza, segundo o Exército de Israel. Assim, subiu para oito o número de militares israelenses mortos desde o início da ofensiva, em 27 de dezembro.

Além disso, 18 casas palestinas foram destruídas ou danificadas no bombardeio por Israel de túneis utilizados para o contrabando em Rafah, na fronteira entre a Faixa de Gaza e o Egito. Centenas de famílias fugiram do setor.

No âmbito diplomático, um emissário de Israel estudou nesta quinta-feira no Cairo uma proposta de cessar-fogo elaborada pelos presidentes do Egito, Hosni Mubarak, e da França, Nicolas Sarkozy.

Este plano prevê "um cessar-fogo imediato por um tempo limitado" para permitir a abertura de corredores humanitários, a continuação dos esforços egípcios em prol de uma trégua permanente e o reforço da segurança nas fronteiras da Faixa de Gaza antes de uma eventual reabertura.

O Hamas e outros movimentos radicais palestinos baseados em Damasco consideraram que a iniciativa egípcia "não constitui uma base válida" para a instauração de uma trégua, segundo um porta-voz palestino.

Pela segunda semana consecutiva, o Hamas convocou os palestinos para "um dia de fúria" na sexta-feira, com manifestações na parte leste de Jerusalém e na Cisjordânia.

Pelo segundo dia seguido, Israel interrompeu por três horas seus bombardeios na Cidade de Gaza para permitir à população comprar mantimentos, água e combustível. Tiroteios esporádicos foram registrados durante esta pausa.

Para o primeiro-ministro palestino, Salam Fayyad, a ofensiva israelense constitui uma nova 'nabka', a "catástrofe" que foi para os palestinos a criação, em 1948, de Israel em 75% da Palestina histórica.

As agências humanitárias denunciaram uma crise "total" no território pobre e densamente povoado, onde falta água, comida, combustível e energia.

Israel alega que o objetivo de sua ofensiva é obrigar o Hamas a parar com os disparos de foguetes, que mataram quatro israelenses desde o dia 27 de dezembro. Dezesseis foguetes foram atirados nesta quinta-feira contra o sul de Israel, ferindo quatro soldados, segundo o Exército israelense.

No norte de Israel, pelo menos dois foguetes Katiucha disparados no Líbano caíram no oeste da Galiléia, na área da cidade de Nahariya e do kibbutz Kabri, ferindo levemente duas mulheres.

Em resposta, o Exército de Israel atirou vários obuses na direção do Líbano, destacou um porta-voz militar.

Os disparos não foram reivindicados, mas fontes militares israelenses acusaram grupos palestinos contrários à ofensiva em Gaza. O Hezbollah, maior inimigo de Israel no Líbano, desmentiu nesta quinta-feira qualquer envolvimento.

Na Cisjordânia, um palestino foi morto nesta quinta-feira por policiais quando se preparava para incendiar um posto de gasolina, informou a polícia israelense.

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