Agência da ONU rejeita defesa do Irã para negar inspeção nuclear

Por Mark Heinrich e Iain Rogers VIENA (Reuters) - A agência de vigilância nuclear das Nações Unidas rejeitou nesta segunda-feira o argumento iraniano de que uma investigação de seu programa nuclear ameaçaria sua segurança nacional, dizendo a Teerã que garantiria a confidencialidade do assunto se o país cooperar.

Reuters |

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) acredita que o Irã retém informações necessárias para explicar 'sérios' relatórios de serviços de inteligência de dez países de que Teerã desenvolve projetos para fabricar uma arma nuclear.

'Não buscamos nos imiscuir nas atividades militares convencionais ou relacionadas a mísseis do Irã. Nosso foco são material e atividades nucleares', disse Mohamed ElBaradei, diretor-geral da AIEA.

'Entretanto, precisamos utilizar toda informação relevante para confirmar que nenhum material nuclear está sendo usado para armas nucleares', acrescentou ele em discurso no início de um encontro do painel de dirigentes da agência em Viena.

Um relatório de 15 de setembro detalhou a não-cooperação iraniana em relação aos pedidos de documentos e acesso às instalações, o que justificaria a rejeição do Irã às alegações.

Autoridades da ONU disseram que a AIEA chegou a um 'impasse' com o país.

O material de inteligência sugere que o Irã alinhou projetos de processamento de urânio, testou explosivos em grandes altitudes e modificou o cone de um míssil de longo alcance Shahab-3 para receber uma ogiva nuclear.

O Irã afirma que as informações foram forjadas e que a AIEA quer visitar instalações militares convencionais a que qualquer nação impediria acesso por razões de segurança.

'SÉRIAS PREOCUPAÇÕES'

ElBaradei disse estar confiante de que se pode encontrar uma maneira de deixar a agência trabalhar respeitando 'o direito legítimo do Irã de proteger a confidencialidade de informações e atividades delicadas'.

'Infelizmente a agência não tem sido capaz de esclarecer as possíveis dimensões militares do programa nuclear iraniano.

Isto causa sérias preocupações.'

Os EUA e seus aliados europeus dizem que o Irã ganha tempo com os inspetores da ONU enquanto segue adiante com um programa de enriquecimento de combustível nuclear.

O embaixador do Irã na AIEA, Ali Asghar Soltanieh, disse não haver evidência de qualquer desvio de material ou atividade nuclear para o que classificou como 'objetivos proibidos'.

'Temos que interromper este processo, porque está colocando a credibilidade da AIEA em sérios riscos', disse ele a repórteres em Viena.

Um diplomata ocidental disse que as exigências do Irã são uma tentativa de desviar a atenção do 'verdadeiro problema'-- a 'incapacidade de cooperar' com a AIEA.

Atualmente o Irã possui quatro mil centrífugas refinando urânio, com mais duas mil em instalação, diz o relatório da agência da ONU. Analistas norte-americanos disseram que o Irã pode se tornar capaz de produzir suficiente combustível para uma arma nuclear nos próximos dois anos.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG