Agência da ONU pede promoção de medicamentos à base de narcóticos

A Junta Internacional de Controle de Narcóticos (JIFE), subordinada à ONU, pediu aos governos que incentivem o uso controlado de medicamentos à base de narcóticos, como a morfina ou a codeína, para aliviar os doentes, em seu relatório anual divulgado nesta quinta-feira.

AFP |

A agência da ONU lamenta que o acesso a estes medicamentos seja "quase nulo em mais de 150 países", por isso pede que sejam convertidos numa "prioridade de saúde pública".

Desta forma, será possível aliviar o sofrimentos de dezenas de milhões de pacientes, afirma, por sua vez, a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Segundo um estudo, os países que prescindem destes medicamentos alegam que o fazem por temor de gerar vício, pelas dificuldades administrativas, pela falta de formação dos médicos ou por seus elevados custos.

Quanto ao uso ilícito das drogas, a JIFE se preocupa com a difusão que tem o canabi, a droga mais consumida no mundo.

Segundo a Junta, os traficantes elaboraram formas mais fortes, com índices de tetrahidrocannabinol (THC, a molécula ativa) que são muito mais elevados que os do canabi que se produzia nos anos 1980. A Europa é o principal mercado mundial para o canabi.

Outra fonte de preocupação para a JIFE é o desvio no uso de medicamentos passados com receita médica, algo que está na moda, em particular nos Estados Unidos.

A Junta pede aos governos que invistam mais na prevenção, principalmente dos jovens.

Denuncia, além disso, o desenvolvimento do consumo de drogas nas rotas do narcotráfico: na África, eixo do tráfico de heroína e cocaína, no sul do Cáucaso, na Península Arábica. Junto aos países produtores tradicionais (Afeganistão, Colômbia, Marrocos, Jamaica), o Canadá se converteu, por sua vez, num grande produtor de ecstasy.

Por último, a Junta se declara preocupada com o desvio, em particular na Árica, de substâncias químicas como a efedrina ou a pseudoefedrina, necessárias para a fabricação de anfetaminas.

"Os traficantes fazem pedidos às empresas legais, usando autorizações falsas, para importar produtos farmacêuticos em países em desenvolvimento, onde as medidas de controle são laxistas e, inclusive, inexistentes", assinala.

lad/cn

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