Agência da ONU faz apelo para cessar-fogo em Gaza

Genebra, 13 jan (EFE).- A agência da ONU para a ajuda aos refugiados palestinos (UNRWA) fez hoje um dramático apelo para que entre em vigor um cessar-fogo na Faixa de Gaza e se dê prioridade à ajuda humanitária à população civil palestina.

EFE |

"Imploramos que pare a luta. Que cesse o fogo. Que seja um cessar-fogo formal, informal, dá no mesmo, mas pedimos que pare. A população está presa, continuam as mortes, os feridos e a destruição", afirmou hoje John Ging, representante da UNRWA em Gaza.

Ging falou com os jornalistas em Genebra, em uma conversa por telefone, enquanto estava em meio à distribuição de ajuda em um centro da UNRWA na Faixa de Gaza, alvo de uma ofensiva militar israelense desde 27 de dezembro que já deixou mais de 900 mortos e 4 mil feridos palestinos.

Segundo os mais recentes dados da Cruz Vermelha, 50% das vítimas são mulheres e crianças.

"Sentimo-nos cada vez mais frustrados. A cada dia, vemos as horríveis conseqüências deste conflito para a população palestina.

Aqui estão acostumados a conflitos precedentes, mas, desta vez, não tem comparação", disse o representante de UNRWA.

"Agora estamos distribuindo ajuda e todo mundo pede, por favor, para darmos mais. Mas não podemos, não temos. E o conflito está em todas as partes, não há lugar seguro", acrescentou.

"O que está fora de qualquer questão é que uma operação militar não pode ser feita causando maciças vítimas civis. É isso o que está ocorrendo aqui dia e noite", disse.

Sobre as informações indicando que o Exército israelense está usando fósforo branco e outras armas proibidas, Ging declarou que não é médico, mas "um especialista. Mas vi os efeitos dos ferimentos nos hospitais. Ouvi os médicos falarem que estão chocados com a natureza dos ferimentos".

"Os ferimentos são horríveis. Se alguém quiser se convencer da urgência do cessar-fogo, visite o hospital Shifa de Gaza. Há vários traumas, queimaduras, amputações", afirmou.

Ging ressaltou que o que está ocorrendo na Faixa de Gaza com a população civil não é só culpa das partes adversárias, Israel e a milícia do Hamas, mas "é responsabilidade de toda a comunidade internacional".

"Isto é uma prova para nossa capacidade de dar proteção. A população tem todo o direito de exigir da comunidade internacional que receba proteção, de acordo com a Convenção de Genebra", afirmou.

Sobre a próxima visita à região do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que estão "esperançosos. Mas as pessoas não podem esperar sua chegada, cada hora é preciosa. Continuamos dizendo que continua a morte e a destruição, e que é preciso parar isso".

"Israel deve saber que não há uma solução militar, que os civis palestinos estão aterrorizados e que é preciso um processo político", afirmou. EFE vh/an

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