Agência da ONU envia avião com ajuda humanitária para capital da Somália

Acnur estima que 100 mil somalis tenham chegado à capital Mogadíscio nos últimos dois meses em busca de comida e ajuda

iG São Paulo |

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) enviou nesta segunda-feira, pela primeira vez em cinco anos, um avião com ajuda humanitária a Mogadíscio, a capital da Somália, região que está em situação de emergência.

Reuters
Avião com ajuda humanitária da Acnur chega a Mogadíscio, capital da Somália
Javier López-Cifuentes, número 2 da agência da ONU no Quênia, detalhou que o avião veio de Dubai, nos Emirados Árabes, onde a agência conta com uma importante área de armazenamento. A aeronave transportou até Mogadíscio mais de 30 toneladas de ajuda, como tendas de acampamento, cobertores e utensílios de cozinha.

"Gostaríamos de distribuir ajuda também no sul da Somália (onde a ONU declarou estado de crise de fome em duas regiões em 20 de julho), mas dependemos da situação de segurança na região", acrescentou López-Cifuentes.

A maior parte do sul da Somália está sob controle do grupo islâmico radical Al-Shabab, vinculado à rede terrorista Al-Qaeda, e que combate o Governo Federal de Transição da Somália, apoiado pela comunidade internacional.

López-Cifuentes afirmou que se a passagem de Liboi (última localidade do leste do Quênia antes da fronteira sul da Somália) fosse aberta, “seria possível abastecer a região por estrada”, em viagens de ida e volta no mesmo dia.

"Estamos tentando cobrir as necessidades básicas dos refugiados em sua origem”, explicou. Ele acrescentou também que a maioria dos refugiados somalis que se deslocam até os acampamentos de Mogadíscio e do Quênia e Etiópia se deslocam por causa da fome.

100 mil

Em comunicado nesta segunda-feira, a Acnur estimou que 100 mil somalis tenham chegado até Mogadíscio nos últimos dois meses em busca de alimentos e ajuda, situação que motivou o envio de ajuda por avião para agilizar o processo que até então era feito por terra e mar.

O Al-Shabab, que no último sábado anunciou sua "retirada tática" de Mogadíscio, pediu no início de julho a entrada de organizações de ajuda humanitária no país um ano após proibi-la, embora mantenha o impedimento a agências das Nações Unidas - como a Acnur - de atuar nos territórios controlados por eles.

A região do Chifre da África está imerso em uma devastadora crise de fome que afeta mais de 11 milhões de pessoas em consequência das poucas chuvas e dos efeitos da mudança climática na região, o que no caso da Somália se vê agravado pelo conflito entre os rebeldes e o governo de transição que tem apoio internacional.

Números da ONU indicam que quase a metade da população da Somália, que possui cerca de 3,7 milhões de habitantes, encontra-se em uma situação de crise humanitária.

*Com EFE

    Leia tudo sobre: somáliasecaáfricainsurgentesal-shabab

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG