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Afro-americanos votam em eleições que podem ter resultado histórico

Jorge Bañales. Washington, 4 nov (EFE).- Em Anacostia, bairro da capital dos Estados Unidos, os eleitores afro-americanos vão hoje votar maciçamente, e aguardam com alegria serena o resultado de eleições que estiveram esperando durante muito tempo.

EFE |

"Votei desde que pude votar, e já tenho 53 anos", disse à Agência Efe Deborah Sales, depois que depositou seu voto em uma escola de Anacostia.

"Mas nenhuma escolha foi como esta: sofremos e lutamos por este dia", disse a eleitora.

Antes do meio-dia, já tinham votado ali mais de 1,5 mil pessoas, informou Pam Brown, a presidente da mesa eleitoral, "e isso já indica uma presença maior que em qualquer outra eleição, quando ainda falta a maior quantidade de eleitores, que virão ao entardecer".

A grande diferença nesta eleição tem um nome: Barack Obama, o primeiro candidato afro-americano.

Desde o início, há semanas atrás, o processo de votação nos estados que permitem o voto antecipado, a presença de eleitores negros foi notável, assim como a de imigrantes hispânicos, asiáticos e árabes.

Hoje, desde a abertura dos postos de votação, a imprensa mostrou imagens de longas filas de eleitores, e os analistas indicaram quase por unanimidade o sentido, por enquanto, histórico que marca o fim de três décadas de conservadorismo, e a emergência de uma nova geração política.

Darlene, de 62 anos, chegou à escola onde vota de cadeira de rodas, empurrada pelo neto Michael, de 22 anos, e acompanhada pelo filho Alfonzo, de 43 anos.

"A última vez que votei antes foi em 1964. E então, nenhum de nós achava que viveríamos para ver um candidato negro, um presidente negro nos Estados Unidos", disse.

"Desta vez não perco, e quero ter certeza que Michael votará também", acrescentou Darlene.

Alfonzo, por outro lado, não pode votar. Assim como milhões de pessoas nos Estados Unidos que cometeram algum crime e cumpriram penas de prisão, o homem tem seus direitos de cidadão suspensos.

"É um dia tão especial, único, é uma eleição importante não só para os negros, é importante para todos nos Estados Unidos", disse Jeanine Valerie, de 30 anos.

"O mundo inteiro está observando esta eleição, o mundo inteiro tem suas esperanças postas no resultado", afirmou.

Na escola secundária de Gaithersburg, em Maryland, Lee Gennell - branco - disse que Obama "representa a mudança que o país precisa e um melhor futuro para nossos jovens".

Com bótons pró-Obama no suéter e no boné, a esposa de Gennell, Barbara, negra e com dois netos aos 49 anos, lembrou os tempos de discriminação que sua família viveu "não há muito tempo (...), quando éramos proibidos de entrar em restaurantes, escolas e outros lugares públicos".

"Nunca achei que viveria este momento em minha vida", disse Barbara. "Eu acho que Obama vai unir o país".

"Quando você ouve a mensagem de Obama, fica preso", acrescentou Lee, de 60 anos. "Os republicanos o atacam dizendo estupidez, porque não têm outros argumentos".

Na Igreja Metodista Pearl, em Jackson (Mississipi), Jean Brown, de 46 anos, foi votar pela primeira vez em uma década.

"Antes eu tinha dois empregos e não tinha tempo para votar", disse Brown ao jornal "Clarion Ledger".

"Mas, neste dia, Obama está em meu coração. Eu não me fixo na cor de sua pele, me fixo em que precisamos de alguém que faça mudanças, alguém que realmente faça a tarefa", disse.

No outro extremo do país, no condado de Santa Clara, na Califórnia, mais de 40% dos eleitores votou pelos correios, mas Dorrie Teodoro, de 53 anos, foi depositar seu voto pessoalmente, e depois que votou em Obama, saiu com lágrimas nos olhos.

"Estou comovida desde ontem", disse Teodoro ao jornal "Oakland Tribune".

"Este ano nascerá uma neta minha e quase não posso esperar para contar-lhe sobre esta ocasião única. Vou ficar feliz o dia todo".

EFE jab/an

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