Africanos retomam negociações após protesto em Copenhague

Delegações africanas aceitaram voltar à mesa de negociações após uma paralisação de cinco horas nesta segunda-feira na conferência sobre o clima organizada pela ONU na capital dinamarquesa, Copenhague. Pouco antes do meio-dia (hora local, 9h em Brasília), os países africanos - apoiados pelo G77, que reúne os países mais pobres em desenvolvimento - decidiram deixar as negociações por insatisfação com a iniciativa do governo dinamarquês, que preside a conferência, de se concentrar apenas em um novo acordo, em vez de trabalhar paralelamente em uma extensão do Protocolo de Kyoto.

BBC Brasil |

"A presidente da COP (a ministra dinamarquesa para Energia e Clima, Connie Hedegaard) está totalmente comprometida com a violação de quaisquer processos democráticos", afirmou Lumumba Di-Aping, representante do bloco G77.

O chamado Plano de Ação de Bali, fechado na conferência da ONU de 2007, previa negociações paralelas em dois "trilhos", que poderiam ou não se encontrar em Copenhague. Com os acontecimentos desta segunda-feira, o trilho de Kyoto está parado.

Os Estados Unidos, que nunca ratificaram Kyoto, defendem apenas um novo acordo, com apoio parcial da Europa, mas a proposta encontra muita resistência entre os países em desenvolvimento, que temem o abandono dos princípios de Kyoto.

Ambientalistas
A notícia do protesto africano se espalhou rapidamente pelo Bella Center, onde a reunião é realizada em Copenhague, e ambientalistas deram apoio às delegações, sob a palavra de ordem: "Estamos com a África - metas de Kyoto já!"
O abandono das negociações não impediu a continuação de reuniões informais no início da tarde.

O secretário-executivo da conferência da ONU, Yvo de Boer, disse acreditar que a pauta formal deve ser retomada nas próximas horas.

"A grande maioria dos países aqui quer ver a continuação do Protocolo de Kyoto", afirmou.

Dilma
No domingo, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que chefia a delegação brasileira em Copenhague, também deixou claro que não aceitaria o abandono da estrutura de Kyoto.

"Não é que não se pode ceder em algumas coisas, mas não tem que rasgar a convenção (das Nações Unidas sobre o clima) para fazer um acordo aqui", disse a ministra.

Com os acontecimentos desta segunda-feira, a tensão entre países ricos e em desenvolvimento chega a um clímax e, aos poucos, manifestantes do lado de fora do centro de conferência também se agitam.

Restam apenas quatro dias da reunião do clima em Copenhague, e os chefes de Estado devem começar a chegar a partir desta terça-feira.

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