África: violência sexual é equivalente à dos países em guerra

Somente os países em guerra sofrem tanto como a África do Sul em termos de violência sexual, denunciou nesta quinta-feira a ONG Médicos Sem Fronteira (MSF), em um relatório que destacou também o problema do estupro no país.

AFP |

"Os dados dos quais dispomos são alarmantes, mas são apenas a ponta do iceberg porque a maioria dos casos são mantidos em segredo", disse Meinie Nicolai, diretora operacional do MSF.

"Durante os conflitos, a violência sexual pode ser utilizada para humilhar, punir, controlar, aterrorizar e destruir comunidades", indicou no relatório da MSF.

"Durante os períodos de estabilidade, a violência sexual é também um grave problema que destrói saúde e vidas", segundo o texto.

Entre os países que mais sofrem com ataques sexuais estão a Libéria, o Burundi, a República Democrática do Congo, a África do Sul e a Colômbia.

Nesses países, em média, 35 mulheres são estupradas por dia, segundo a MSF.

Na África do Sul, a violência sexual está associada a atividades criminais e à violência doméstica.

"Notamos que a violência sexual em algumas sociedades é banalizada, tornou-se normal", disse Janine Josias, um médico dos MSF que trabalha no imenso centro urbano de Khayelitsha, perto de Cap.

Khayelitsha tem uma das taxas mais elevadas de violência sexual, com uma estimativa de um caso a cada 26 segundos.

"Constatamos um número crescente de homens e meninos vítimas da violência sexual, casos estes que não são declarados ou tratados", acrescentou o doutor Josias.

Em 2007, a MSF tratou mais de 12 mil vítimas da violência sexual no mundo, seja em zonas de conflito ou em setores onde a paz prevalecia.

As mulheres aparecem em maior número entre as vítimas da violência sexual.

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