África tem oportunidade de ouro na questão climática, diz ONU

Por Alister Doyle ACRA (Reuters) - A África tem nas atuais discussões da ONU uma oportunidade de ouro para obter ajuda contra o desmatamento e a mudança climática, disse na terça-feira o diretor da Convenção da ONU sobre Mudanças Climáticas, Yvo de Boer.

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Em discurso a delegados de 160 países reunidos em Gana, ele disse que a África continua atraindo poucos investimentos em tecnologias 'verdes' que ajudem o continente a reduzir suas emissões de gases do efeito estufa e a se adaptar aos efeitos do aquecimento global -- como secas, inundações e elevação dos mares.

Mas ele afirmou que os países africanos precisam insistir na inclusão de seus interesses no novo tratado climático a ser aprovado até o final de 2009 em Copenhague, para entrar em vigor depois de 2012.

'Realmente tentei enfatizar aqui que este processo até Copenhague é uma oportunidade de ouro para os países africanos garantirem que o próximo regime atenda às suas necessidades de forma muito melhor', disse De Boer.

'Eles precisam formular o que é essencial para que ajam, tanto para limitar emissões quanto para se adaptar aos impactos da mudança climática. A África tem de saber o que a África quer'.

Embora tenha tido participação mínima no aquecimento global -- atribuído principalmente à queima de combustíveis fósseis -, a África está bastante vulnerável. Segundo um relatório da ONU em 2007, por exemplo, até 250 milhões de africanos podem estar vivendo em áreas com escassez hídrica até 2020.

Sob os atuais esquemas da ONU destinados a atrair investimentos ambientais para o Terceiro Mundo, a África está bem atrás e China, Índia e Brasil, os maiores beneficiários desse sistema. 'A África ainda não está se aproveitando dos instrumentos que temos', disse De Boer.

Mas um outro relatório da ONU divulgado na terça-feira indica que as coisas podem estar mudando, ao informar que projetos de 'energia limpa' começam a surgir em países como Mali, Moçambique e Madagascar. No Quênia, por exemplo, há um projeto de energia geotérmica.

Segundo De Boer, o encontro de Acra, que vai até quarta-feira, avançou na definição de formas de combate à destruição de florestas tropicais -- fonte de quase 20 por cento das emissões humanas de gases do efeito estufa.

'Os países desenvolveram aqui uma melhor compreensão sobre como querem lidar com o desmatamento, como querem recompensar as pessoas pela conservação florestal', disse ele.

Além disso, há em Acra o sentimento de que metas de eficiência energética para determinados setores industriais, como cimento e siderurgia, seriam úteis dentro de cada país, mas não como parte de um sistema internacional de cumprimento obrigatório -- o que os países em desenvolvimento temiam que gerasse barreiras não-alfandegárias para seus produtos.

'Acho que há um forte sentimento na sala, especialmente entre os países em desenvolvimento, de que uma decisão de tratar de um setor é algo que vocês decidem em nível nacional', afirmou. 'Não é algo que se possa ou deve impor em nível internacional.'

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