África do Sul veta dalai lama em conferência sobre paz e esporte

Johanesburgo, 22 mar (EFE).- O Governo da África do Sul não concedeu visto ao dalai lama para participar de uma conferência sobre paz e esporte prevista para a próxima sexta-feira em Johanesburgo, informa hoje a imprensa local.

EFE |

Segundo os meios de comunicação sul-africanos, a recusa do visto foi motivada por pressões das autoridades chinesas.

O dalai lama, Prêmio Nobel da Paz em 1989, tinha sido convidado para esta conferência, ligada à Copa do Mundo de 2010, pelos três sul-africanos que também receberam este prêmio: os ex-presidentes Nelson Mandela (1993) e Frederick de Klerk (1993), e o arcebispo Desmond Tutu (1984).

O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Ronnie Mamoepa, disse hoje à agência local "SAPA" que "o Governo não enviou qualquer convite ao dalai lama para visitar a África do Sul", e por isso recusou a concessão do visto para que entre no país.

Para Mamoepa, esta decisão foi adotada "pelo interesse superior do país", e qualquer convite ao dalai lama para visitar a África do Sul deve ser feita "com o consentimento do Governo".

Sobre as supostas pressões de Pequim, Mamoepa indicou que não tem conhecimento sobre qualquer pedido da China, e disse que "esta decisão é independente e soberana".

No entanto, o diário "Sunday Independent", da Cidade do Cabo, informou hoje que o visto não foi concedido ao dalai lama no começo de março devido à oposição do Governo Chinês.

O jornal disse que o ministro conselheiro da Embaixada chinesa em Pretória, Dai Bing, declarou que seu Governo pediu ao da África do Sul que não permita a entrada do dalai lama, e advertiu que visita do líder religioso prejudicaria as relações bilaterais.

O dalai lama visitou em duas ocasiões a África do Sul. Em 1999, para participar do Parlamento Mundial das Religiões, e em 2004, como convidado da Fundação para o Patrimônio Cultural Africano.

Os investimentos diretos da China na África do Sul são de aproximadamente US$ 6 bilhões, e o fluxo comercial entre os dois países representa 20,8% do que os chineses têm com todo o continente africano. EFE cho/mh

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