África do Sul protesta por tratamento a atleta com sexo contestado

O ministro dos Esportes da África do Sul, Makhenkesi Stofile, disse nesta sexta-feira que a polêmica sobre o gênero sexual da corredora sul-africana Caster Semenya tem sido tratada de uma maneira nojenta e antiética e prometeu uma terceira Guerra Mundial caso ela seja proibida de competir. As declarações foram feitas depois que a imprensa da Austrália divulgou detalhes de um teste de gênero da atleta que foi solicitado pela Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), que indicaria que ela não tem ovários e tem testículos ocultos dentro do corpo.

BBC Brasil |

Stofile disse que o governo sul-africano ainda não recebeu nenhuma notificação quanto ao resultado dos testes e acrescentou que, ainda que Caster seja hermafrodita, ela ainda seria uma mulher.

"Caster é uma mulher, ela continua sendo nossa heroína. Precisamos protegê-la", afirmou Stofile.

"Nem Caster nem sua família merecem esta humilhação. Ninguém fez nada errado e pedimos para que eles sejam deixados em paz."

Título

Semenya, de 18 anos, venceu a final dos 800 metros no mundial de Atletismo de Berlim, no mês passado, e foi recebida com festa na volta ao seu país.

Mas a IAAF pediu a realização de testes para comprovar seu gênero sexual e pode decidir em novembro que ela seja banida de competições oficiais.

"Iríamos às instâncias mais altas para contestar esta decisão. Acredito que seria totalmente injusto", disse Stofile.

O ministro, que disse temer que a atleta possa tentar o suicídio por estar envolta neste escândalo, afirmou que seus advogados estão cuidando do caso.

Decisões possíveis

O analista de esportes da BBC Gordon Farquhar afirma que os testes devem mostrar que a atleta de 18 anos possui características de hermafrodita.

"Já sabemos que ela tem níveis de testosterona três vezes mais altos do que o normal em uma mulher", disse ele.

"Podem existir três decisões possíveis: que sua condição não lhe dá vantagem competitiva, que a condição lhe dá vantagem, mas não pode ser tratada ou que a condição possa ser tratada de alguma forma e ela permita isso, retornando ao esporte ao final do tratamento", completou.

A IAAF anunciou que ainda está analisando os resultados dos testes e que ainda quer discuti-los com a atleta.

A associação indicou que dificilmente irá solicitar a Semenya que devolva a medalha de ouro que recebeu em Berlim, mas manteve a expectativa quanto ao futuro da corredora.


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