África do Sul pede calma após morte de Terreblanche

VENTERSDORP - O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu calma neste domingo após o assassinato do líder branco de ultradireita Eugene Terreblanche, supostamente após uma discussão por pagamento a trabalhadores negros, despertar temores de conflitos raciais.

Reuters |

AP
Eugene Terreblanche

Terreblanche, em 2005

A polícia deteve dois trabalhadores de uma fazenda e disse estar investigando sua briga com Terreblanche, mas o Movimento Africâner de Resistência (AWB na sigla em inglês) de Terreblanche afirma que ele foi morto espancado e com golpes de machado no sábado em um ataque com contornos políticos.

Zuma, que tem como uma de suas prioridades cortejar brancos africâneres, classificou o incidente como um "ato terrível" e convocou os sul-africanos a "não permitir que provocadores se aproveitem da situação incitando ou alimentando o ódio racial".

Terreblanche, de 69 anos, era a voz da oposição linha dura ao final do apartheid no início dos anos 1990, embora seu partido desde então tenha desempenhado um papel marginal e não tenha muito apoio entre os brancos, que perfazem até 10% da população.

O AWB instou a moderação enquanto o enterro é preparado e os próximos passos são definidos. Em Ventersdorp, oeste de Johanesburgo, partidários vestindo uniformes militares depositaram flores nos portões da fazenda de Terreblanche.

"Vamos decidir que ações vamos tomar para vingar a morte do senhor Terreblanche," disse o porta-voz Andre Visagie.

As preocupações com uma crescente polarização racial foram escancaradas por uma discussão pelo uso de uma canção da época do apartheid com a letra "Matem os Bôeres" por parte do jovem líder do Congresso Nacional Africano (CNA), partido do presidente Zuma.

O CNA defendeu a canção como nada além de uma maneira de lembrar uma história de opressão, mas o fato inquietou grupos minoritários, especialmente fazendeiros brancos, dos quais cerca de 3 mil foram mortos desde o fim do apartheid.

AP
Partidário de Eugene Terreblanche leva flores para o portão de sua propriedade

Partidário de Terreblanche leva flores para o portão de sua casa


"O assassinato de Terreblanche será visto simbolicamente como uma tensão nessas relações," disse o analista Nic Borain da HSBC Securities. "Mas Terreblanche é um criminoso antigo e não acho que as pessoas sairão em sua defesa ou sua morte possa revigorar a oposição dos brancos à nova África do Sul", completou.

O partido de Terreblanche não hesitou em ligar o assassinato à canção. Terreblanche sempre se descreveu como um Bôer. A polícia disse que os suspeitos do assassinato têm 16 e 21 anos e trabalharam para Terre'blanche. Ambos devem comparecer ao tribunal na terça-feira.

"Parece que houve uma discussão e os dois foram presos. A polícia está investigando e o público será mantido informado," disse o ministro de polícia Nathi Mthethwa em uma coletiva. "Alguém morreu, vamos nos ater a isso."

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