África do Sul é afetada por série de protestos

BALFOUR, África do Sul - Manifestantes de vários municípios da África do Sul atiraram pedras contra policias, que revidaram com gás lacrimogêneo e balas de borracha, durante marcha realizada nesta quarta-feira. Milhares de pessoas marcharam numa demonstração de revolta com os serviços precários e a falta de emprego. Mais de cem pessoas foram presas durante esta semana.

Redação com agências internacionais |

Reuters
Policial patrulha estrada bloqueada em Balfour, após protestos

Policial patrulha estrada bloqueada em Balfour, após protestos

Três meses após as eleições, a propagação de protestos violentos aumentou a pressão sobre o presidente Jacob Zuma para que cumpra as promessas do governo de ajudar os pobres. Depois de uma onda de greves na maior economia da África, os protestos aumentam a incerteza no país.

Mas a África do Sul anunciou em junho que atravessava sua pior recessão em 17 anos. Mais de um milhão de sul-africanos ainda vivem em condições de miséria, sem eletricidade ou água corrente. Jonah Fisher diz que a tensão crescente lembra os ataques xenófobos que mataram mais de 60 estrangeiros no ano passado.

A revolta, com cenas que lembraram a violência contra os estrangeiros registrada no ano passado que terminou com a morte de 62 pessoas, também prejudicou a esperança da África do Sul em apresentar uma imagem positiva a menos de um ano da Copa do Mundo.

"Isso é um problema para Jocob Zuma e para um governo em favor dos pobres assumindo o poder em meio à recessão global", disse o analista independente Nic Borain. "Não acredito que represente uma crise para o governo de Jacob Zuma, mas acho que é um desafio."

Os manifestantes atiraram pedras nos carros e bloquearam uma rodovia perto de Johanesburgo. No distrito de Siyathemba, a 90 quilômetros da cidade, manifestantes que exigiam empregos e escolas melhores entraram em confronto com a polícia e ameaçaram o prefeito.

Luta por benefícios

Embora a revolta seja dirigida em boa parte às autoridades locais, também há insatisfação com o governo do Congresso Nacional Africano (CNA), no controle do país desde o fim do apartheid, em 1994. "Esse governo é todo podre", disse Bongani Mazibuko, desempregado há anos.

Os sul-africanos pobres reclamam de não ter recebido benefícios desde o fim do governo da minoria branca. Zuma prometeu fazer mais para ajudá-los, como principal ponto da plataforma eleitoral do CNA.

Mas o governo tem sido limitado pela primeira recessão da África do Sul em 17 anos, resultado da crise global, e evita qualquer política que possa desestimular o investimento local ou estrangeiro.

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