NAÇÕES UNIDAS - A África do Sul advertiu, nesta sexta-feira, que eventuais sanções do Conselho de Segurança da ONU contra o governo do Zimbábue atrapalharão o reatamento do diálogo dos governistas com a oposição.

A declaração foi feita hoje pelo embaixador sul-africano nas Nações Unidas, Dumisani Kumalo, na saída de uma reunião do principal órgão da ONU.

Kumalo disse que os 15 membros do Conselho poderiam votar sobre a resolução com as sanções em uma reunião às 16h (Brasília).

"Como negociadores, isso nos colocaria em uma posição muito difícil", comentou o embaixador.

O diplomata afirmou que um dos efeitos imediatos das sanções seria a interrupção das conversas iniciadas na quinta-feira entre a oposição e o governo do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, com mediação da África do Sul.

Segundo Kumalo, uma vez em vigor, as sanções obrigariam o negociador pelo lado do governo zimbabuano, o ministro da Justiça Patrick Chinamasa, a abandonar a África do Sul.

Kumalo também lamentou que o texto proposto pelos Estados Unidos não imponha obrigações à oposição zimbabuana para que se chegue a uma solução negociada com o governo de Mugabe.

"Em todas as resoluções se faz referência às duas partes, menos nesta", comentou.

O projeto de resolução impõe a Mugabe e a 11 altos dirigentes de seu regime a proibição de viajar e o congelamento de todos os seus bens.

A minuta, que também prevê um embargo de armas ao país africano, condena a decisão de Mugabe de seguir adiante com as eleições de 27 de julho, devido à "campanha de violência contra a oposição política" que levou à retirada da disputa de seu rival, Morgan Tsvangirai.

Os promotores da resolução asseguram que contam com os nove votos necessários para adotar as sanções, caso China ou Rússia não utilizem seu direito ao veto como membros permanentes.

Entenda a crise no Zimbábue

No primeiro turno do pleito, realizado no dia 29 de março, o candidato do partido opositor Movimento pela Mudança Democrática (MDC), Morgan Tsvangirai, de 56 anos, venceu por cinco pontos de vantagem sobre Mugabe.

Tsvangirai abandonou a corrida eleitoral uma semana antes do segundo turno, para denunciar a repressão praticada contra seus partidários. A violência, segundo o ex-candidato, deixou ao todo 200.000 desabrigados, 10.000 feridos e 90 mortos desde o fim de março.

Na segunda-feira, observadores da UA que fiscalizaram a votação no Zimbábue admitiram que o pleito não foi realizado "de acordo com as normas democráticas" da organização.

A crise política e econômica do Zimbábue arruinou um país antes próspero, fazendo nascer ali a pior hiperinflação do mundo atual e indispondo-o com seus vizinhos, em especial a África do Sul, para onde fugiram milhões de pessoas até agora.

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