A comissão eleitoral sul-africana prevê uma participação recorde nas eleições gerais desta quarta-feira, o quarto pleito democrático do país, no qual o Congresso Nacional Africano (ANC, no poder), liderado por Jacob Zuma, tem quase certa a vitória.

A Comissão Eleitoral Independente prevê a participação recorde de mais de 20 milhões de eleitores, afirmou a porta-voz, Kate Bapela.

"Os 19.726 colégios eleitorais abrirão às 07H00 de quarta-feira e, neste momento, não prevemos interrupções ou dificuldades", declarou à AFP.

Segundo as últimas pesquisas, o ANC obterá pelo menos 60% dos votos, o que faz de Zuma o indiscutível favorito para as presidência do país quando o Parlamento se reunir dentro de duas semanas para eleger o novo chefe de Estado.

"Antecipamos uma participação em massa nas eleições e achamos que as pessoas voltarão a dar ao ANC um mandato amplo e decisivo", declarou Zuma aos jornalistas nesta terça-feira, em Johannesburgo.

"Utilizaremos nossa maioria com responsabilidade e não ignoraremos os direitos dos cidadãos nem obrigaremos os outros partidos a se submeter a nós", acrescentou.

Legitimado pela luta contra o apartheid, o ANC ganhou as três eleições gerais organizadas desde 1994, data da instauração da democracia e da eleição de Nelson Mandela como primeiro presidente negro do país.

Em 2004, o partido obteve mais de 69% dos votos.

Nesta ocasião, os diferentes partidos da oposição convocaram os eleitores a se mobilizar para privar o ANC de sua maioria de dois terços que permite modificar a Constituição à sua vontade.

"Se o ANC obtiver dois terços dos votos e Zuma se converte em presidente, as consequências serão graves", declarou Helen Zille, líder do principal partido de oposição, a Aliança Democrática.

As críticas da oposição se veem alimentadas pelas complicações de Zuma com a justiça - que acaba de abandonar processos por corrupção contra ele - e pelos ataques lançados por algumas por alguns de seus partidários contra juízes e investigadores.

A hegemonia do ANC enfrenta o desafio de um novo grupo, o Congresso do Povo, formado depois das divisões causadas dentro do ANC pela destituição do ex-presidente Thabo Mbeki em setembro de 2008.

Segundo Bapela, a comissão eleitoral confia que as eleições serão justas e transparentes, precisando, inclusive, que na outrora volátil província de KwaZulu-Natal, na costa leste do país, foram conhecidos poucos casos de intolerência política mais recentemente.

Forças da polícia foram mobilizadas numa série de zonas identificadas como potencialmente conflituosas, acrescentou.

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